terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aquilo que tenho feito

Tá doendo, bem no fundo, e eu não tô deixando subir. É isso que tenho feito com minha dor, não deixá-la subir. Aumentar o espaço entre o que sou e ela. Tem alguma coisa arranhando, tô segurando o choro no céu da boca, buscando uma infinita confiança naquela caixinha que guardei aqui no peito, trabalhando, estudando, confiando na vida e nesse palco que me salva. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Nossos ós

Eu cuido de você! Não era isso?! Nossas tardes cinzentas silenciadas pelo medo. Caminhamos de lados opostos sem compreender que o caminho mais próximo era aquele mesmo.  Os dias corriam e nós nos aproximávamos daquilo que no fundo não queríamos.  Vi você nascer e você me viu morrer, sem perdas e ganhos, nós fomos sublimes. Meu engano que conforta, creio fielmente naquilo que inventei. Chega de dissoluções, quero somente o que continua, abstendo-se de mim chorei como uma vaca que perde seu bezerro morto de fome.  Nada daquilo era infelicidade, mas aquela coisa que não se diz o nome. Etimologia perfeita para  os enigmas do amor, minha pedra partida ainda representava o seio. Desejei você perante o universo que me esfregava o contrário. Fumei a fumaça que espremia seu corpo quase infantil, nas partes de baixo. Minha fêmea de coito interrompido, meu gozo sessado pelo tempo. Chorei o leite que escorria seco do seu fálico e falido caralho de merda. Abriu-se milhões de espaços e dentro daquilo que enfebrecia minha pele eu renasci daquele pó rubro e acinzentado. Deixei de ser, para poder ser de verdade.   

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Aquele trem de ontem, de hoje, de sempre...

A vida. A vida e seus rumos inesperados e desconhecidos. Tem alguma coisa nova batendo na porta, do lado de cá só percebo o barulho, o que tem ali ainda é desconhecido. Viver é bom, sabia? Viver é lindo! Dançar esse jogo me faz sentir amor. Hoje a noite estava linda, ontem também. Bons vinhos, boa companhia e boa conversa. Poesia encobrindo tudo, uma poesia sutil revestida de paz. Vivemos tempos perigosos, vejo meus iguais se perdendo e criando em si um eu que não existe, a energia acaba explodindo para o lugar errado. Não é fácil viver, não deixa de doer, não deixa de ser melancólicas as festas infestadas de pessoas frias e materialistas. Mas eu sigo! Por Deus, comprei o bilhete e não vou pular com o trem andando. Gostaria de ver mais seres humanos, nessa intimidade que fede e vomita beleza. Me acalmo com a sensibilidade do que tenho, do que venho recebendo e de tudo que tenho sentido. Existe dentro de mim um amor leve que acalenta os tremores dessas excitações violentas e necessárias, um amor transformado em música, olho o trem cheio , de olhos fechados o passageiro ao lado balança a cabeça, como se em silêncio ouvisse a mesma música que eu. Não estou sozinha, eu sei!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Primeiro encontro

Você me pediu pra comprar uma guia branca de Oxalá e colocar na minha cama. Apaixonei-me por você e tive medo de dizê-lo, muita força e vontade em um ser humano só. Mas entre aqueles cigarros e o papo sobre os aviões nazistas, eu te amei. A  tempos não encontrava um homem assim, tão gente e tão mulher. Depois descobri que você pinta e depois me veio suas obras. Um susto, tamanha foi minha admiração. Então te desejei como mestre, guru, guia espiritual, amante, amor, amigo...Não importa!Te desejei inteiro e tive medo. Você é tanto, transborda naquela insanidade que tanto me atraí. 45 internações, 42 anos, 25 esperando você.  Pensei em pedir seu telefone, email, faccebook ou qualquer forma de contato que não me fizesse perder de ti. Mas em um instante eu depositei ao vento a responsabilidade do nosso segundo encontro. Espero ansiosamente revê-lo Bernardo Gouveia, guardo apertado dentro do peito o cheiro de suas mãos quentes sujas de cigarro, aquele olho vago que adentra no fundo, as olheiras, o caminhar vago e certeiro. Que sua esquizofrenia me contamine por completo, é só o que desejo. Amo você. Que alguma coisa maior toque seus ouvidos e fale o que tenho pra te dizer agora, obrigada por plantar isso em mim, você sobe e eu desço, mas como você mesmo disse, isso não existe, só existe o meio.  Saravá!!!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BROMÉLIAS DE AMOR

De hoje, o que tenho pra dizer, é que acredito e confio no amor. Que cada dia que passa tenho mais certeza dos encontros meio místicos e sublimes, desses que guardamos pra sempre, são raros, mas acontecem. O corpo suspira aliviado quando a alma encontra o verdadeiro espaço, quando adentramos nesse outro lado da vida tudo fica mais leve e parece fazer sentido. No meio do caos encontrei pequenas bromélias, aconcheguei no meu colo quente, são elas o remédio necessário pra essas feridas que ainda insistem em sangrar. Bromélias lindas que me deixam pisar leve e seguir inteira... 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O samba de uma mulher com sorte

 (Gabriela perdeu a fantasia e voltou pra casa chorando e sambando, enquanto chovia. Para se ler ao som das marchinhas de carnaval...rindo e sorrindo da dor)

É engraçado, porque continuamos...é importante continuar. Levantar a cabeça e seguir em frente, limpando a poeira, retirando o pó. Mesmo quando o amor passa por cima a gente  se mantém, construindo edifícios, alavancando os sonhos, bebendo caipirinha pra aliviar a dor. Um dia a gente esquece e depois lembra, faz parte.  Você me educou e eu te ensinei, não sei qual é o pior. Penso em você com uma leveza de dia-a-dia, da mesma forma quando se toma um remédio periodicamente e não se pode esquecê-lo. Rivotril,  Donaren e Prozak, nada me serve além dessa instabilidade constante e essa paixão pelo humor vacilante, vivo disso e sou. Você me fez. Ponto. Não quero continuar a frase, nem acrescentar a ela uma receita de remédio ou tentativas, adjetivos ou ações. Simplesmente ponto. Ponto porque as coisas são, e não se acrescenta a elas significados, justificativas ou vontades. Coisas que são maiores a gente não define, elas simplesmente estão e junto delas nós somos, a gente é. Existe em mim um caixa de coisas que são, me sinto abençoada por isso. Ontem uma menina me disse: você é uma pessoa de sorte! É...quem sabe?! Acho que sou! Que coisa boa, que bom! Dói, e é tão bonito doer! Existe em mim uma fonte inesgotável de amor, só preciso distribuí-la, isso já faz de mim a mulher com a maior sorte desse mundo.  Ganhei na loteria, acertei os números, tirei a roupa e rasquei o dinheiro na praça, em plena lua cheia, verão, carnaval, semana santa e Nossa Senhora tocando pandeiro enquanto eu sambava, do lado da realidade eu era a fantasia que faltava, sem pretensão alguma, apenas amando o momento do delírio existencial. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Essa coisa de robôs não vai funcionar, já tô avisando.

A vida é cheia de vai e vem e no meio tem uma coisa chamada amor. Esse amor que coloco do lado do tesão, no centro da testa: SEM TESÃO E SEM AMOR O HOMEM VIRA UM ROBÔ. A primeira vez que descobri o amor, e consigo ainda me lembrar dele, foi quando fui ver uma peça, lá onde eu nasci, e disse pra mim: Que coisa é essa?! Aquelas pessoas tão vivas e diferentes de tudo, um ritual, uma união... OHHHHHH EXISTE GENTE DE VERDADE!
Depois daquele dia eu queria só viver daquela maneira, cheia de amor e de tesão por tudo, em cada momento que me acompanhava, em cada dia vivido, em todos os meses percorridos e horas digeridas pelo tempo. Não foi sempre que consegui , porque essa atualidade, que prefiro chamar de caos (sem tesão e sem amor) quase me engoliu inteira e transformou meu pobre corpithu em uma mercadoria barata, sem alma, e valor nenhum.
Não!Assim eu não vivo meu bom Deus! Eu preciso de amor, dessa coisa que deixa a gente retardado e com fogo no cú. Transformando tudo que sai da gente em um gigantesco tesão e gozo eterno. É bom quando alguém me abraça, quando passo horas (sem ver a hora passando) falando dessa coisa meio complicada que chamamos de existir com uma pessoa quem nem conheço direito, mas logo faço dela um irmão. Um irmão na dor.
Gosto das relações sinceras e de fundo de olho. Entregando tudo, até a última gota. Esse povo cheio de medo, receio, arquiteturas homéricas e objetivos futuristas, me cansam!No final da festa fica todo mundo sozinho, com o mesmo gosto de solidão roendo os dentes e a mesma sensação de fracasso aporrinhando o coração. Pra quê?! Plano de saúde, casa própria, carro, mestrado, doutorado, boa aparência, uma ótima saúde, boas relações, bons contatos, sucesso profissional, estabilidade e bláblábláblá TUDO EM PRIMEIRO PLANO! Alienados por essa modernidade líquida e esse amor desmanchando-se no ar. Aprisionados no próprio corpo e na própria imagem que construíram de si. FALTA CORAGEM!FALTA TESÃO!FALTA AMOR... PELE, GENTE, OLHO NO OLHO, VINHO, BOAS RIDAS, BOAS REFLEXÕES, BONS CARINHOS, VERDADEIRAS TROCAS E INTENSOS ESTADOS DE CRESCIMENTO HUMANO.
Falta brilho no olhar.
Incertezas são bons alimentos, prestígio é um chocolate e dinheiro é ilusão.
Desse jeito restarão somente robôs na terra... ahhhhh não faz isso comigo!Quem é que vai me despertar pra amanhecer outra vez?!


(quem avisa amigo é...)