Não precisa ser forte, precisa ser de verdade!!!!!!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Fé e força.
Hoje abri um vinho pra mim.
Acendi vela e rezei.
Pedi a Deus proteção nessa nova etapa, nesse novo ciclo.
Muito trabalho e muita coragem.
Muito amor.
Oh! Mãe dos mananciais. Senhora da renovação da vida. Mãe de toda criação.
Orixá das águas paradas. Mãe da sabedoria.
Dai-me a calma necessária para aguardar com paciência o momento certo para tomar minhas decisões.
Que a tua luz neutralize toda as forças negativas à minha volta. Daí-me à tua serenidade e faz de mim um filho abençoado nos caminhos da paz, do amor e da prosperidade.
Orixá das águas paradas. Mãe da sabedoria.
Dai-me a calma necessária para aguardar com paciência o momento certo para tomar minhas decisões.
Que a tua luz neutralize toda as forças negativas à minha volta. Daí-me à tua serenidade e faz de mim um filho abençoado nos caminhos da paz, do amor e da prosperidade.
DEUS SALVE NANÃ BURUQUÊ!
SALÚBA!
SALÚBA!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Tristemente feliz
Um dia após o outro. Ela fazia como se não fosse. Fazer. Acordar. Comer. Trabalhar. Ela não acreditava. Parar. Cuidar. Deixar. Ela deixou que fosse. Não sabia nem bem nem mal, era dessas criaturas insatisfeitas trocava os sapatos, desfazia a arrumação do quarto. Terminar. Existir. Acreditar. Ela acreditou que um dia seria mais e dela mesma não sabia ao certo. Pedaços. Cadarços. Espaços. Eram apertadas as sandálias, os coletes, os cartazes colados na cara, na beira do abismo escrupuloso de cada dia. Foi assim que mudou-se pra longe, cortou os cordões, apagou os postais, desapareceu com os endereços. Fazia bagunça dentro do corpo, acúmulos impossíveis de lembranças, da dor só sabia a cor e do sentir repetia exceções. Não era feita de paz, de tudo que era certo registrava incertezas, morria de rir e depois se acabava embaixo da sua cabeça. Ela não fazia mal, mas de tagarela morreu em silêncio, afundando dormitórios tristes, solidões esquizofrênicas, sensibilidade excessiva. Fazia. Desfazia. Dava. Tirava. Sabia. Enlouqueceu burra. De cada ignorância grudou um amor. Foi assim que depois de anos acabou sentada esperando o mesmo ônibus, a mesma pessoa, a mesma chuva, o mesmo tempo. Não era. Nunca foi. Mas fez de si um amor que não sabia, pele poética, sangue correndo grosso de tanto frio, osso lunático, vísceras utópicas, maldades constantes.
- Bem, eu comecei a andar de bicicleta com 12 anos. Aos 13 desisti, não suportava os sinais, as calçadas, os carros. Depois dos 15 comecei a fazer bombons pra vender na escola. Nunca gostei de água e muito menos de doce. Vive como deu, do jeito que dava. Mas desde aquele dia eu não aguentei mais. Os cheiros eram insuportáveis, as pessoas, as coisas, os dias... ahhhhh os dias eram tortuosos A noite eu limpava os móveis, abria as janelas, cuidava do jardim. Um tédio. Mas disso eu sempre soube, desde o começo, nunca esperei mais que tédio. Quando acelerava um pouco eu ficava até cansada, caia morta na cama. Mas desde aquele tempo que não acelera... no fundo talvez eu fique feliz, mas já não sei o nome das coisas, então talvez eu esteja enganada falando tudo isso que disse agora a pouco, talvez seja mentira, talvez não, não sei. Perdi a referência. Quando é que eu sei que estou com fome, por exemplo, quando eu como. Quando é que eu sei que estou triste? Quando eu choro. Quando é que eu sei que eu estou feliz? Quando eu fico calada, querendo que as coisas falem por mim. Mas tudo isso são suposições, ontem eu cortei o dedo e fiquei calada... eu fiquei feliz?Não sei.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Depoimento 1 - não leia -
Sabe, de verdade... O tempo tem passado e eu não sei se tenho mais a mesma energia de antes. Antigamente existiam certas coisas que eu pensava que eram passageiras, mas elas ficaram...
Elas permanecem....
Quando eu saí de casa, a dez anos atrás, achava que a falta da família e o vazio eram passageiros, mas não são. Ou aquele meu jeito de sempre me emocionar demais com todas as coisas, aquela mania de chorar antes de dormir, de não ver muito sentido no mundo, de ter insonias desesperadoras e chegar em casa bêbada de muito choro e vodka.... Não passa, é... Isso também não passa. Ou até mesmo aquela coisa enorme de injustiça social, de gente má, de solidão, de medo. Essas coisas não passaram, e acho que elas não vão passar nunca, no fundo no fundo essa sou eu de verdade. E tem também as partes ruins, não que essas sejam boas, mas as outras.... (rs). Minha insegurança é enorme, sempre vou me achar a mulher mais gorda e mais feia do mundo. Sempre vou olhar pro futuro e vou sentir um medo gigantesco de não conseguir, de não dar conta. Sempre vou ser egoísta quando se trata da entrega alheia, da história particular de cada um. Faz uns cinco anos que eu tive um namorado que hoje mora comigo, ele é meu amigo, eu sempre reclamava com ele dessas dores da vida, e mesmo depois de cinco anos, ainda reclamo. Os dias são como a dez anos atrás, os mesmos medos e as mesmas inseguranças. A mesma sensação de solidão corroendo essas noites acalentadas de muito cigarro e Amy. Esse mesmo cansaço no corpo, aquelas utopias que não deram certo, aqueles sonhos que perderam o sentido, aquela vida feliz que não existe e não vai existir absolutamente de jeito nenhum. Antigamente, quando esse tipo de estado emocional chegava, eu enfiava a cara na vodka, muitos cigarros e todas as drogas disponíveis .. Não que eu fosse pesada, não era isso, era só uma dor insuportável demais, doída demais. Hoje eu nem aguento tanta bebedeira e viradas de noites na rua, na esquina, na casa de um amigo, na praça... Hoje essas coisas perderam um pouco o sentido. Faço um chá e fumo um cigarro quieta aqui em casa. Coloco uma música, leio um pouco, choro na varanda e escrevo. É mais fácil, melhor e mais barato... (rs). Se eu fiquei mais leve? Acho que não...
Fico pensando se desistir é a melhor coisa, mas é preciso continuar, de qualquer jeito, de qualquer maneira, é preciso seguir adiante. Perdendo noites, soluçando, amando, doendo, rindo, sofrendo.... É preciso continuar, se não?! Não faz sentido algum esses dez anos longe de casa....
Fico pensando se desistir é a melhor coisa, mas é preciso continuar, de qualquer jeito, de qualquer maneira, é preciso seguir adiante. Perdendo noites, soluçando, amando, doendo, rindo, sofrendo.... É preciso continuar, se não?! Não faz sentido algum esses dez anos longe de casa....
A gente inventa esperanças, sonha acordada, esconde uma porrada de tristeza dentro de uma caixinha e tranca na última gaveta, do último degrau, da última escada que a gente inventou semana passada.
É assim que tem que ser. De um jeito ou de outro sou eu, meus cacos, meus pedaços, minhas pequenas histórias....
Um pouco de fé, coragem e Elis Regina cantando "Estrada de Santos" no radinho da sala.
segunda-feira, 25 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
Um canto
Minha vida era enorme. Dentro dela as paredes eram gigantes e os móveis eram vermelhos com detalhes azuis. Os tapetes eram amarelos, os quadros antigos e a cozinha transparente. Um cinzeiro pra cada visitante, uma cama confortável e 35 janelas. Um colchão e 7 almofadas em cada cômodo. Samambaias e um vaso de guiné. O altar tinha de tudo. Um espaço pra cada santo, uma oração pra cada crença. Terra, muita terra pra acalmar o espírito. Água corrente, pufes e gelatina de morango. Um pé de acerola e outro de jabuticaba. Roseiras e alecrim. Manjericão e acácia. Um baú pra solidão e outro pra saudade.
"essa casa tem quatro cantos, cada canto tem uma flor, nessa casa não entra maldade, nessa casa só entra o amor."
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