quarta-feira, 14 de agosto de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

As Horas

Não sei dizer sobre as coisas que ficam. Não sei dizer sobre muitas coisas. Hoje acho que senti falta da família, desses almoços conturbados de domingo, dos meninos correndo, meu pai bebendo cachaça e meu irmão zuando o caçula. Senti saudade de casa, de colo, de carinho. Acho que ta passando da hora de ter uma família por aqui. A primeira que tentei construir não deu certo, os ratos não deixaram. A segunda era confusa em excesso e eu...ah, menina demais! A terceira ficou pelas bandas do Rio, e de lá fica a brisa e uma certa saudade no coração. E agora? Agora uma dorzinha no peito e uma decepção na garganta, mas nada que não tenha cura, eu acho! As coisas costumam me doer sem querer, eu sempre lembro da Nicole Kidman fazendo a Virginia Woolf, naquela parte que ela foge de casa e o marido vai atrás, ela diz o seguinte:

- Se estivesse pensando direito te diria que luto sozinha, no escuro, na escuridão, e só eu posso saber, somente eu posso entender a minha condição. Você me diz que vive com uma ameaça. Você vive com a ameaça da minha extinção. Leonard, eu também convivo com isso. É o meu direito. É o direito de qualquer ser humano. Eu não escolhi a insensibilidade sufocante dos subúrbios, mas sim a energia da capital, essa é a minha escolha!Mesmo o pior, sim, mesmo o mais baixo dos pacientes, deve poder dizer qualquer coisa sobre o assunto do seu próprio tratamento.Assim ele define sua humanidade.

Meu pedaço de dor. Minha condição. Minha humanidade! Acho que as coisas se resumem nesse ponto, é assim que defino minha humanidade. As escolhas que fiz nasceram da necessidade de me sentir viva. De me sentir humana. Talvez não seja uma escolha, mas a condição de ser.

sábado, 10 de agosto de 2013

Uma apaixonada mendigando em xiliques seu amor

Xiliquenta mendiga
Mendiga de amor
Xilique nascendo de dentro
Tentativa absurda de estabelecer o carinho mendigando respeito
Respeito é bom e eu gosto
Cada um da aquilo que tem
Amor transborda de graça
Mendigo brilha de tanta alma e de tanto amor
Xilique é hysteria revestida  de dor
Psicologia barata e bondade de aparência me cansam
Prefiro os gritos e os desesperos apaixonados
As intensidades me consomem
O amor é meu guia
Amo e mendigo meus xiliques desejosos de respeito carinho cuidado e amor

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sem título

Os muros terminam onde começa o desejo pela travessia.

Vermelho

Me fiz mulher na manhã nascente de um poema. Sem saber os versos compus rimas falsas e quartetos dissonantes. De tanto vermelho meu poema borrou o batom. Uma boca mal feita e um ombro pesado arrastando romances...novelas. ..mulheres.  As mulheres são mais vermelhas que o próprio vermelho da cor. Meus poemas são mulheres sem rima sem verso sem som....silenciosas em suas inconstâncias. Solitárias... sobretudo solitárias. O piano toca ao fundo e a menina insiste em devaneios insalubres - por onde anda aquele futuro (?!) - ela voa.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pelo instante

Foi lá atrás,  quando ainda era esperança esse aperto de medo no meu peito. Lá onde as utopias ainda não haviam sido corrompidas pelo desejo universal do sucesso. Foi ali,  naquele instante,  nasci! O céu era mais azul e a família, pedaços de segurança na estrada. Morri logo depois,  na mentira da mãe e na falta do pai. Morri de longe,  me olhando de olhos fechados,  esperando a vida no desejo de ser. Distraida comecei a ser,  morrendo e nascendo não largava a alma, o amor pelo sangue correndo quente naquele corpo meio meu. Meu céu, que já não era mais azul, encontrou outros instantes,  apagou resquícios e armazenou lembranças.  Enlouqueci de amor, me afundei em ruas e becos,  gozei tanto que perdi os braços,  as pernas,  o balanço. Hoje, sem saber,  sigo errando,  mas comi a maçã e guardei o caroço no bolso esquerdo e o cigarro na outra mão.