sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Merda número dois

Ter um amante.
Ter duas amantes.
Ter um cachorro.
Ter um bilhete.
Ter um pedaço.
Ter desprendimento.
E por último... Não ter.

Merda número um

Se você gozar na minha cara eu te mato. Mas se você não gozar eu te como.

Chega de desculpas

Me deixa
Me corta
Me arranha
Me acaba
Me aniquila
Me come
Me cospe
Me gasta
Me chupa
Me abusa
Me desagrada
Me arrepia
Me pega
Me atira
Mas me deixa ser livre de maneira dolorosamente alegre que eu encontrei.... Sem você!!!!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Para Vincent:

Me sinto feito um leopardo ou uma abelha, e nem sei se na verdade esses bichos são solitários. Mas talvez eu só sinta e sentindo já me basta a crença. Me sinto feito bicho solitário sem rumo algum, porque todos eles ja se dissolveram e eu nem saberia explicar. Me sinto feito bicho solitário, não sei se me sinto ou o meu sentir é uma invenção dessa minha mente absurda e inesperada. Quero o inapreensível. Meu desejo de ser o que eu já fui e só hoje vejo aquilo que realmente eu era. Talvez amanhã eu descubra que já estou sendo e distorcendo eu reinvento possibilidades de mim. Respiro e falta ar. Perdi Deus na imensidão cruel desse mundo. A buracracia me mata e ela é o satanás das ruínas, as ruínas sou eu, eu sou descontrole e o descontrole é satã. Salut! Qu'est-ce que c'est? Na minha língua significa talvez. Talvez eu possa. Talvez eu seja. Talvez eu consiga. Talvez, realmente, faça sentido, mesmo que não faça. Eu quero poder me libertar das amarras desse mundo, do cruel implícito na inexistência. Não ter medo da poesia, a contemporaneidade mata ela em si, a palavra é complexa demais. Sinônimo de contemporaineidade: coexistência. Coexistência: S.f. Característica, propriedade ou condição de coexistente; que existe de maneira simultânea. Eu existo de maneira completamente simultânea. Esse erro é grave. Gravíssimo. Agudíssimo. Um soneto, logo, poesia. Voltamos ao "quase" início. Eu quero ser solitária como um bicho.... Eu sou! Isso é contemporâneo? Je ne se pas! Je ne se pas! Je ne se pas! Je ne se pas! Je ne se pas! Je ne se pas! Je ne se pa! Je ne se pas!Repito até que a natureza se dissolva e eu possa. Nós possamos. Aqueles todos que simplesmente não são ou não sabem que são. Poços! Possos! Posso! Eu nem sei se consigo, Vincent. Eu nei sei se eu posso ser tanto. Tão humano quanto e tão desumano ponto. Ponto ponto ponto com. Com ela. Sem. Solitária feito as abelhas que eu nem sei se são, mas acredito. Eu acredito. Eu acredito que acreditando me torno. Retorno e descomeço ou retorno e descomeço. Dói. Dói feito tentativa de estando certo errado sempre e inesperadamente ser. Queria inverno em dias tão quentes.  Minha vida ainda me mata. Vida em excesso é vida de menos, ou seria o contrário? Já não sei. Paro um tempo e ouço:
http://www.youtube.com/watch?v=aKBCzjXvIb


Eu sou o espírito Santo!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Para eles que não sabem a dor

E eles se tornam amigos.
E ele nao sabe o quanto é necessário.
E ele não sabe a importância de estar de lado. ... de mãos dadas no escuro.
E ele não sabe a fragilidade de uma vida inteira.
E ele nao sabe de todas as dores e nem faz questão não saber.

...

....

Silêncios

Eu só queria que você estivesse comigo.
Ela só queria que você estivesse comigo.

Não eu

Essa não sou eu. Crio esse eu para lidar comigo. Um eu mais grave e mais sustentável. Não sei ser. ...sendo me descontrolo e me perco.  A melancolia me domina e me torno tão francamente instável que sendo eu fico fraca. Fraca como um ovo sem estrutura,  sem espaço,  sem rumo.

Para Marcelo,  adeliane e todos os outros que me viram completamente perdida:
- deixei de ser e sendo eu fui. ...peço desculpas.
Só isso!
Esqueço a vida e isso qie dizem ser a melhor felicidade.  Escolho a tentativa de continuar tentando.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Caminhando entre o inesperado e a falta perfeita que me faz movimento

Cada vez que espero perco inesperadamente o palpável da vida. Fico existindo entre imagens e pedaços doces de sentimentos escorridos. Deixo de existir sendo. Minha existência nada mais significa que múltiplos desejos brigando por espaço dentro do meu corpo e fora dele. Quando eu era pequena eu pensava que vida era um corpo em movimento. Depois eu descobri que vida era o movimento de desejo dentro de um corpo. Deleuze tem razão "O verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem em que ponto estão." Eu tenho um desejo incontrolável pelos dementes, loucos e descontrolados. A subjetivação de ser encontra-se na pré-disposição do não saber. Apaixonar-se constantemente pela indefinição, convicção e o amor que transborda. O desejo de desejar é movimento puro. Quero a vida de encontros que me movimentem e dentro do movimento me façam desejar  caminhos e profundidades inexplicavelmente inexistentes. Aos encontros previsíveis, alegres e pobres de desejo, amor e sinceridade eu desejo o fim. Uma morte calma feita de tempo, um desencontro feliz feito de escolha e uma convicção feita de ética. Por favor, não interrompam meu movimento.