domingo, 19 de outubro de 2014
Samba do amor ciborgue (Inacabado) - Por De Jesus Menezes
bem morta ...toda assim torta
e bem morta / bem na porta
e bem morta / tô toda torta
1 / 2 / 3/ /4
e bem morta
toda arrom-bada e morta
toda- torta/ assim bem arrom-bada e bem destroça-da
to-da vá-cua e to-da corta-da
e 12345678
vem ...me supor-ta
aparece na porta , pobre e com assadura
vem....morta...vem agora
e tem a port-a
e b-em torta e mor-ta
e toda destruída - e bem morta
a nossa relação de amor está toda tort-a
e bem es-crota / tod-a na crosta....excluída da roda
toda hipócrita
sempre pobra, amança minha ânsia sem ser ansio-sa
5...6...7...8...9... e bem------vórtice
e solta e volta, arranca minha nota...surda desengonça-da .....vem e corta
a amizade de bos´ta, que nem acende / nem amor-na
vem de costas / e arreda a beiçola
enfi-á minhá pisto´la...na sua bero-la....enfi-á minha minh-a ro-la na sua su-a borda
e vi e volta
e sol´ta e vol´ta
e bem mor-ta / vai embora
não pa-ssa da porta/ tepeçovaiagora
vaia na por-ta e comemorá
7890 e 1 e 2
e 3 e 4
e 5 e 6
e 7 e 8
e 9 e 10.....agora vai embora
vai na hora
e bem mor-ta...tchin tchin tchin
tchin , tchin e bem morta
vai e não volta / bem torta...só agora
vi a sua horta que tá beem moorta
..oh minha nora...sinta-se bem nossa
no amor da obsessão...se sinta bem ...amorosa
e bem ...solta, e muito ousada, mas muito te-merosa..e nunca bem morta
mas tão bem que nem bem morta
eu estou bem na crista da menina morta
e bem mor´ta / sua estrutu-ra óssea
bem den-tru da hor-ta
da minha ilha corsa....sem atração, nem desova
nem ovula o ó-vulo
nem a ó-vula /
nem a minh-a úl-tima cota de negra flácida
nem de ne´gra gosto-sa
nem outridiot-a
nem ou-tra idió-ta
nem morta, você , nem morta!!!
Dos Tempos que Amei.
resídua na diferença genética dos nossos olhos"
Samuel Sudré
Uma carta para...
Chove. Ao som de Janis Joplin o cheiro do cimento e da arruda, felizes pela chuva que a muito não aparecia por aqui!A primeira chuva nessa janela, uma imensa porta de vidro, uma rede e um céu. Quem diria!!!As coisas tem mudado em muito pouco tempo e pela primeira vez a solidão do eco da sala. Um quintal maior que o quarto, uma vista mais alta que a da cama. Muitas pessoas se foram e eu sempre sofri muito com a ausência delas. Estou aprendendo assentar o peso no peito e seguir em frente. Saudade de poesia, dos romances, de aceitar o ócio sem ansiedade. Acho que quando aceito o ócio eu escrevo, ou pinto. Tem músicas que combinam com isso, outras não. Aprendendo a escolher a música, tem vez que o bicho come o buraquinho dos meus olhos, eles caem e sofrem. Essa música faz carinho nesse bicho e o prazer dele se torna o meu, ou seja, aprendi a ter prazer mesmo carregando os buracos dos bichinhos que deixam os olhos sofridos. Aprendi a conviver com isso. Conviver muitas vezes tem um "Q" de comodismo, mas, vez ou outra conviver é o que faz o corpo continuar acordando. Saudade da Amelie Poulin de L'Absente, dos escritos na água viva da Clarice, do arroz na churrasqueira, da garrafa de vinho quase caindo do palco, da banda, das reuniões na casa da Luiza, da gente brincando de bruxa, dos sorrisos rotos das ruas de Diamantina, da foto da gente pelado na cama, de você me apresentando Nietzsche, dos ensaios de domingo na sala preta, do Seven Boys abarrotado de Lars Von Trier, da gente lendo o mesmo livro nos nossos quartinhos pequenos cheios de aleluia. Tanta coisa. Tantas coisas em tantas janelas. Eu vi muita chuva caindo de janelas pequenas, e grandes, e enormes, e minúsculas e médias. Quantos cigarros eu fumei até hoje? Deveria ter feito essas contas!Deveria ter cuidado um pouco mais da minha rejeição, no posto de alguém que tenta viver o amor. Devia ter cuidado dos abismos, porque depois eles se emendam em solidões tão complexas que fica difícil querer. "Mas, às vezes, é precisamente porque o amor é tão forte, que nós não somos fortes o sufuciente". Van Gogh, chove!Chove como no início.
domingo, 5 de outubro de 2014
Voto consciente
O peso da memória é gelatinoso. Um gel oco corroendo as lembranças. A paixão então começa a viver um caso de amor com a putaria. As putas das memórias. Dos instantes. Desses desejos fudidos que abafam circuitos. Choque elétrico na nuvem cinza do passado e são pedro urinando nas nossas cabeças o quanto somos pequenos. O mundo vai acabar como está, como está é o sujeito ativo de toda essa merda poética do amor. Com quantos paus se fez mundo? As exclamações matam o ócio. Gelatina apaixonada mijando em são pedro em domingo de eleição.
sábado, 4 de outubro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Bukowski "" cavalheiros, eu sou um artista, um inventor! A minha MÁQUINA DE FUDER é, na verdade minha irmã.
A onda do branco. Muito branco pela casa, sob a cama, nos cantos transbordando anfetamina, adrenalina, endorfina. Aquela cara apaixonada cheia de desesperança, o grande teatro social do "tudo bem". O grande teatro social da alegria disfarçada por uma nota de R$2, feito cano PVC escondido no maço de cigarro. Minha vagina apodreceu de tamanha boa vontade. Meu ânus infiltrado pelos dedos sujos da minha carência. Essa tristeza que acontece, fica batendo e martelando na ressaca. Eu sou uma pessoa ruim, mesmo não sendo, feito aquela música " eu não quero causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo ". Meu corpo gordo transborda silêncio. Minha pele flácida acomoda desilusão, e minha alma decepcionada coleciona novas esperanças. Eu nunca quis te fazer mal. Eu nunca quis fazer mal nenhum, a ninguém, a não ser a mim mesma. Minha buceta grita: meu amor, fui embora e você nem percebeu, e eu te amei, te amei daquele jeito que não aguenta tanta tanta tanta tanta falta de carinho e excesso de cara boa correndo com as pernas amarradas no parque. Quero que passe. Que deixe. Que termine. Que comece de novo e que eu viva, viva bem solitária na minha loucurinha barata a lá Bukowski. Mais uma vez não deu certo. Mais uma vez o tempo. Mais uma vez esse tapa sei lá o que. Vou dar o cu pra escova de dente e fazer boquete no rolo de macarrão, depois eu cheiro cinco gramas, perfuro o braço esquerdo pra chamar a atenção e corto o cabelo com a faca da cozinha. Deixando eles acharem que não fui eu, ou melhor, que sempre sou eu, quando da errado.