Cansada!
Do que mais eu consigo falar?
Meu estômago tem queimado e doído. Azia. Refluxo. Gordura entre os dentes, no meio dos ossos, entre as coxas, caindo enquanto falo. Passei no mestrado!E agora? Perdi completamente o desejo e a vontade. Freud explica! Acho que funciono na falta e na vontade de. To lendo Kundera, Derrida e Damásio!Tudo ao mesmo tempo. Não consigo!Não consigo!Não consigo!Cansei!Meu cérebro queimou de tanta droga, vou ser expulsa do mestrado antes de começar, enquanto sonho com meu amor na França. Meu Deus, a lua ta tão linda, e eu vejo ela imensa daqui de dentro, tão imensa...
Ando quieta demais. Deitada pelos cantos, bagunçando o quarto, esquecendo a louça suja e o lixo transbordando no banheiro. Ela encheu a casa de rosas, tão linda!Mas, eu continuo cansada!
Meu silêncio enquadrado pelo medo. Andei me apaixonando pela solidão. Observações entrecortadas por pontos, vírgulas, estômago podre e vista cansada. Meu barraco, meu abrigo. O álcool é meu melhor herói. Meus problemas épicos derramados de pura ansiedade. Cansei!Cansei de tudo!Manuel Bandeira e Silvia Plath azedando minha esperança, meu útero necrosado, meu desejo morto. Essa gordura aumentando o espaço entre meus dentes, sinto nojo quando uso o fio dental, as coisas sangram e a azia não cessa. Meu dente dói! Desmarquei a limpeza! Engordei 5kg! Perdi a vontade de chorar! Engoli seco! Tomei rivotril pra insônia! Assisti todas as temporadas de Hause! Fragmentos. Observações. Pequenas anotações diárias. Continuo cagando muito e chorando pouco. Chorando quase nada e cagando cagando cagando cagando cagando um abarrotado de gordura presa, aterrada, afundada. Queria poder cagar bem longe de todos, longe de cada lembrança, longe de toda essa expectativa e ansiedade. Cagando e chorando no desconhecido... Meu Deus, que coisa mais maravilhosa!!!!!!
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
MAL SECRETO
As coisas me dizem
coisas, elas seguem sendo, sem saber. As coisas, são tantas...
Existe um tipo de alegria tão funda que chega a doer, mas a gente
nem sabe o que é a dor, ou quando esse nome veio ao mundo. Perdemos
o controle das coisas. Envelheci, mas agradeço a Deus a coragem de
cheirar toda aquela cocaína, e vomitar depois. Não estou velha
porque vomitei, estou velha porque assentou-se em mim uma certa dor.
Estou tão velha que me basto, não me aguento, sou insuportável
demais pra mim mesma. Eu que pensei nunca ter inimigos. Meu
pensamento fragmentado corrige certas coisas. Mas, eu não deixo de
ter inimigos. Duas coisas me tocam: a filosofia e as plantas. O ser
humano me cansa e me suga. Por isso, hoje, as coisas me dizem coisas,
amanhã eu já não sei. Nesse instante eu basto em gasto, acelero
ruídos, esmoreço a esperança, fico calada e quieta, não choro não
converso.
(as pessoas continuam
falando do lado de fora)
terça-feira, 11 de novembro de 2014
insegurança
Eu queria escrever um pouco mais doce do tanto que eu queria escrever. Descobri que mesmo no meio da alegria não deixa de doer, o que eu achava que era invenção era pura realidade, a vida não é doce, às vezes elas fica colorida. No fundo aprendi a aceitar. é e ponto, às vezes muda, às vezes não. Há as vezes do desfazer. Aprendi com o Samu, aprendi a não deixar de me entregar e acreditar que existem sim encontros únicos e cheios de esperanças utopicas. Não sei...me sinto tão burra, quanto mais o tempo passa mais eu sinto dessas coisas. Errar...
... errar pesa.
Tem sido dolorido. Pesa.
Vivendo como se houvesse um sentido no final de tudo
Adoro ser tão dramática. Me encanta.
... errar pesa.
Tem sido dolorido. Pesa.
Vivendo como se houvesse um sentido no final de tudo
Adoro ser tão dramática. Me encanta.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Aquela
Eu nem sei falar do tempo, mas eu queria uma explicação mais lógica pra ele. Não me interessa a coêrencia, só não quero que a frase fique feia, a beleza também tem seu amor nas palavras. É preciso enxergar um pouco por fora das regrinhas e dos bons costumes. Tem beleza na podridão e gostosura no escuro. Esse vazio vai continuar até o fim e apesar de você vai seguir em frente sem ponto. Eu to que não me aguento!Aqueles dias de tanto cansaço e uma falta de colo. Queria sossego doce, meus olhos estão ardendo de horas corridas no relógio. Meu passado. Minha instância. Minha falta de assunto. Minha burrice gorda e meu exagero intenso constante. É preciso aceitar a poesia na acadêmia, do jeito dela, de pernas abertas e explícitas. Incoerêcia no nexo. Laconismo. Falta. Deixei de.
Solidão é lava, que cobre tudo....
Para Nina Arágon
Solidão é mágoa, aquela que de fundo, bem fundo, cobre tudo. Essa coisa de você questionar o desejo já é muito, não é fácil se olhar de tão dentro, dói querer saber de tudo. Segue assim, segue que os homens deixaram de te desviar do essencial, segue que você vai ver que vale a pena olhar de dentro....e no fundo, o que você tem feito todo esse tempo, é isso, olhar.
Para mim mesma
Você sabe que aquela febre cheia de vômito e mal estar no estômago foi pura insegurança gritando no seu corpo?Você sabe que não importa? Que rolou, mas que no fundo não importa? Você sabe que você precisa brincar?Você sabe que você precisa esquecer? Você sabe que o tempo tem passado depressa e você ai se preocupando com tão pouco!
Solidão é mágoa, aquela que de fundo, bem fundo, cobre tudo. Essa coisa de você questionar o desejo já é muito, não é fácil se olhar de tão dentro, dói querer saber de tudo. Segue assim, segue que os homens deixaram de te desviar do essencial, segue que você vai ver que vale a pena olhar de dentro....e no fundo, o que você tem feito todo esse tempo, é isso, olhar.
Para mim mesma
Você sabe que aquela febre cheia de vômito e mal estar no estômago foi pura insegurança gritando no seu corpo?Você sabe que não importa? Que rolou, mas que no fundo não importa? Você sabe que você precisa brincar?Você sabe que você precisa esquecer? Você sabe que o tempo tem passado depressa e você ai se preocupando com tão pouco!
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
SOBRE ONTEM
O isqueiro era dele. De repente encontro dois isqueiros
verdes em cima na minha mesa. Então eu lembro o quanto minha mamória é fraca e
meu materialismo cruel. Devia ter deiXado meu isqueiro com você, mas na dúvida
resolvi ficar com os dois. Não foi uma ação de má fé, mas só uma ação, sem
significado nenhum ou qualquer hierarquização da imagem. Eu sou escritora? Às vezes
eu acho que eu sou, é confuso, mas divertido. Chega a ser quase engraçado e
depois chega a ser quase de soltar um riso, e depois quase de soltar um som, e
depois quase de parar um pouco, e depois quase de diminuir o tamanho da
abertura da arcada dentária. Sinto que eu sou uma escritora que escreve coisas
alegres. Eu escrevo coisas. Essa coisas não são necessariamente palavras, mas
as palavras são necessariamente um sentido do todo. Eu sou uma escritora que escreve sentidos.
Talvez. Talvez eu escreva. Eu tenho certeza absoluta que eu escrevo, quase
frenética, um impulso, será que eu escrevo?ou eu decodifico meus impulsos em
uma ação simples que é escrever? Estou na dúvida se o que eu escrevo é Marta
Medeiros ou James Joyce? Ou se até mesmo eu acabei de ser muito pretenciosa e
isso é o pior indício de austeridade? Foda-se. No fundo eu não estou nem ai pra
ninguém que não seja eu mesma!É ISSO AI!Eu não me importo com nada nem ninguém,
quero explodir dentro do meu umbigo. Cacete. Acabei de entrar para o ranking de
escritoras grosseiras. Ô!Que pena dela!Você me aburrece, eu me aburreco, eles
se aburrecem, nós aburrecemos?Quem? O próprio umbigo. Se importar muito é não
se importar nada, os iguais se anulam. Ou são os opostos? Tem uma coisa dessa
na química, biologia, sei la. Enfim, seu isqueiro verde ta aqui comigo e ele
fez todo sentido agora, ele me trouxe de volta. Eu sei que você entende.
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