quinta-feira, 6 de agosto de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Por hoje
As vezes a gente desiste do amor pelo simples fato de não dar conta, do cansaço se tornar maior que tudo, e aquele simples desejo de futuro deixa de ser importante. A gente se acomoda ao presente, ele tem suas intensidades, mas o desejo guia tudo, então não da mais. Não da mais pra tentar, e não é por falta de amor, é pelo cansaço dele. O amor é o limite, a dor imensa e o prazer absoluto. Quando se ama demais aprende-se a viver no limite, ou a gente pira ou goza deliberadamente. Gozar deliberadamente tem suas dores, dores tão delicadas, elas arrancam pedaços, um monte de pedaços. Eu não gosto de falar de amor, é confuso, da medo, dói. Que merda. Que imensa merda dentro do peito. Flores coloridas e ventos frescos no peito. Isso! Eu só queria isso! Vento no peito! Meu coração ta apertado feito cara de maracujá azedo. Incerteza. Eu vou amar você em dia próximo é ridículo. Bateu, bateu!Não bateu, esquece! Mas deve-se dizer, mesmo em um dia próximo. Por que? Eu não quero deixar ninguém esperando. A verdade sempre aparece. Eu não tenho mais tempo a perder. Eu não tenho mais tempo.
sábado, 1 de agosto de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
Por tudo
Meio santa meio puta. Bem clichê. Desse jeito arrogante e doente de tudo. Uma intensidade absurda diante da vida, mesmo que lhe rasgue o peito. Vai indo, um pouco pra lá um pouco pra ca. Desistindo de certas horas e em outras morrendo aos poucos. Meu corpo desiste mas eu sigo, continuo porque não me resta mais nada, somente esse cheiro dolorido de vida. Lá vai a alma, podre de si, mas insiste na eternidade. Meus cabelos, meus cabelos andam oleosos feito babá. Falta de ar, tosse, meu nariz não respira, meu corpo. Azia, ânsia,
Não consigo mais.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
TRAUMA
Eu tenho um monstro engasgado no meu peito, não da pra fingir. Minha família é uma ilusão, ela não existe. Aos 16 anos descobri a falta, e ela embaralha tudo. Ninguém supera um abandono, uma catástrofe, um trauma de maneira absoluta. Os resquícios do abandono coagulam a tranquilidade cotidiana. Não é possível continuar fingindo que não existe um buraco negro, um nada separando tudo. Carrego a culpa de não amá-los como deveria. Minha liberdade é enlouquecedora, proporcionando territórios desconhecidos, solidões devastadoras, medos absurdos, e uma carência que debocha de mim no espelho. Minha família me faz lembrar de todos os detalhes assustadores, das milhares de vezes que não me reconheci com o sobrenome que me deram. Quando esbarro com alguns parentes minha identidade se desfalece ladeira abaixo, sigo em queda livre, um constante desespero gélido engolindo as esperanças. Nada de infinito existe depois de um trauma, tudo é carregado de um fim, e o que salva o desejo contínuo é o desconhecimento da data da morte. Meus pulmões escuros agarram-se a fumaça acalentadora da solidão, tornando os delírios noturnos minha única fonte de esperança. Minha realidade paralela é a realidade que existe, somente eu, meu devastado e machucado eu, meus membros dispersos pelo espaço, meu eu que não existe, minha falha existência traumatizada, minhas inúmeras faces, meus fragmentados eu's, somente eles reconhecem a ilusão dos laços sanguíneos, e consequentemente a perdição do que a maioria chama de realidade. Me sinto exaurida, cansada de todas as regras sociais da mais valia. Não desisto porque sou covarde e a infinitude da morte me assusta. O que é que vale mais, meu medo ou meu trauma? Meu corpo gordo carrega dentro da pele a flacidez inócua de quem resiste. Bravamente levanto todas as manhãs e digo: não importa, mesmo que digam o contrário, eu hei de me encontrar em alguma esquina, dentro de um copo, um canudo, um banheiro sujo. Eu hei de descobrir o porque disso tudo, o sentido dessas coisas inalteráveis. Eu hei de seguir adiante, apesar de, independente de. Eu hei de superar o monstro engasgado na minha garganta, a família desconhecida e a infinitude de um trauma.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
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