sexta-feira, 11 de março de 2016

Desabafei quilos

Para Denise Leal
Leia ao som de "Vaca Profana", do Caetano.



Começo sem saber ao menos como recomeçar. A cabeça vira de ponta, e aquele vazio... imenso! Corroendo as paredes de ar. Falta-me ar. Tem vez que respiro, outras não, fico em silêncio esperando o momento do ar retornar a garganta. É um alívio delicado seu retorno, leve, fresco, como se todas as coisas começassem a fazer sentindo. Desabafei quilos e respirei quilos. Ai eu penso que amar é deixar ir, é deixar ser, é deixar viver mais do que somente algo fechado no seu colo. Uma vontade súbita de te escrever, mesmo depois daquele desabamento desesperado. Eu me perco tão fácil. Pra onde foram nossos planos? Acho que foi aí que entendi que planos são somente planos. Depois dos planos é que vem o amor, o amor que dura pra sempre... Eu acho! É claro que se sou eu que estou escrevendo "EU ACHO".... eu acho. Achar o que? Onde? Uma fantasia imbecil de que as coisas valem mais depois que acabam. Queria conseguir ser menos, sentir menos, berrar menos, explodir menos, gritar menos, amar menos, dar menos, comer menos, fumar menos, beber menos, desejar menos, pirar menos, falar menos, pensar menos, sonhar menos, esperar menos.


Tudo em mim transborda excessos.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Vazios enfurnados

Tenho passado todos os dias enfurnada em casa com a cara nos livros. Não posso dizer que estudo ouvindo música clássica, isso parece arrogante e cult demais. As vezes eu me acho ridícula, to correndo atrás do tempo perdido. Será que rola? To cada vez mais quieta, na minha, usando as drogas que me cabem na minha casa rodeada de plantas, gato e ar, muito ar pra respirar com a porta aberta. To com medo de ver gente, de conviver com as pessoas, de me decepcionar. To exausta de tanta gente que me faz doer. To exausta desses livros teóricos, dessas tardes chuvosas e de todas as horas que fico enfurnada tentando escrever. Aí eu bebo um vinho e me derreto em lágrimas. Choro feito um bebê abandonado. Mas, eu to tentando... E isso deve valer alguma coisa, sei lá!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Li assim:

Quem tem fome quer pão
Quer é escravo quer liberdade

...
Não sei o que eu senti!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Nao dito

Taí uma coisa que eu não sei...
Como são as famílias?

"Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz e infeliz a sua maneira"

A única coisa que sei!
As vezes dizer corrói, mas o não-dito se torna um imenso buraco vazio dentro do peito!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Martelando em Dó

Paro ao por do sol, um café e Debussy. Meu coração acelerado sente tanto medo de sei la o que. Tem dias que as recordações me sufocam, não consigo existir. Um dia, não sei qual, vou ter silêncios mais tranquilos de coração, e nesses dias não existirá espelhos que me bastem, só uma pequena certeza de ser eu mesma. Daí em diante vou respirar como um bebê, e nada, absolutamente nada irá afogar meu coração. Ansiosamente eu espero, uma vida toda, uma vida inteira tentado existir no amor. Minhas memórias transbordam ininterruptamente, um derramamento de incertezas, falhas, esquecimentos, borrões. Debussy martela em dó, suaviza e acaricia a ponta dos dedos, as bordas do coração. Um coração de sangue em formato de céu, quem disse isso? Não da mais pra saber o que é realidade, é nesse instante que tudo se desfaz como um papel embebido de café, frio e sem açúcar. Perdi toda minha capacidade de esperança, os dias seguem secos e cruéis. Pessoas podem acabar com nosso sossego, reaparecendo feito fantasmas hipócritas em uma noite mal dormida. Sua escrotice me espanta! O cheiro podre que escorre do que fomos me da náuseas e ânsia de vômito. Amizades, vez ou outra, tornam-se tão perversas, escondendo-se feito traça no canto escuro de uma caixa de papelão. Você enfia os dedos entre os buracos, procurando uma foto, uma lembrança, e é mordido pela existência catastrófica de uma amor. Alguns amigos morderam minha nuca, outros arrancaram meus calcanhares com os dentes, os primeiros eu perdoei, esses outros, ahhhhhhh, esses outros eu matei! Mas essa lembrança infernal que não deixa de martelar em dó...  Como se houvesse perdão, como se fosse possível uma esperança. Imbecil! Meu coração imbecil chega a doer na xícara de café, e é nessas horas que eu me sinto um animal irracional, completamente sem bordas. Ninguém pede perdão, ninguém pensa em voltar. E esse som se mantém martelando em dó, martelando em dó, martelando em dó... ininterruptamente, até que morram as traças e junto delas toda e qualquer possibilidade de esperança.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Fissura da carne

Sabe o que acontece comigo? Eu não sei meu lugar no mundo. Eu posso até estar mais estável.... Minha casa, o mestrado, isso tudo me garante um mínimo de estabilidade.... Mas minha cabeça me destrói. Meu jeito, minha sensação eterna de ser abandonada, de não ter família, de não ter ninguém. É como se o buraco da minha solidão aumentasse continuamente, e eu estou aprendendo a ficar aqui dentro, guardada no meu silêncio, escondendo um pouco minhas dores diárias. Eu não sei lidar com a vida, eu não conheço nenhuma fórmula que funcione em mim. É sempre essa fissura rompendo meu  cotidiano, como se cada dia fosse uma guerra, uma possibilidade de morte... Sei lá. As vezes eu penso em suicídio, mas eu sou tão covarde que nunca faria isso. Me sinto destruída por dentro, feia, acabada... Aí eu respiro e continuo meus dias, como se fosse improvável qualquer esperança. As vezes ela vem, mas com a mesma facilidade se esvai. Tenho lutado todos os dias pra acreditar em cada beleza, em cada amor diário.... Mas é tão difícil, tão improvável ser feliz. Sinto falta de ter um amor, como se isso salvasse meus demônios. No fundo eu sei que não, que nada encobre essa coisa que eu sou. Sou um asfalto quente que permanece em silêncio apesar de.