Eu falei tanto sobre os meus 30anos, e eles chegaram. Depressa e com força, mas dessas forças intensas que deixam a gente sem saber onde por os pés. Chegou tudo junto, a decepção com o pai, a reconciliação com a mãe, o golpe, o mestrado, as certezas políticas, a falta de jeito pra dormir, os Kilos a menos, o respeito com a própria história, com o próprio corpo, com os próprios desejos, o vínculo com a Frida, com as plantas, com a lua, com a menstruação, chegou também a certeza de ter escolhido os amigos certos, o corte de cabelo, as tatuagens, as cicatrizes, vieram também os respiros, os chás, os livros, as dores nas vistas, os calos nos pés, a espiritualidade vibrante, o sexo com gozo, os orgasmos múltiplos, o amor... Eu nem sabia que amor podia ser desse jeito, nessa calmaria e tesão. São quase meia noite e eu tenho mais de mil perguntas sem respostas, eu tenho mais de muros, eu tenho mais de 20 anos...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Ligada num futuro blue
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Eu sou fraca. fraca demais pra aguentar as pressões da vida. Eu nem sei onde estão os pontos de segurança. Onde é que a gente se segura? qual é o local onde as coisas se tornam mais certezas que insegurança? A gente até tenta ser artista, mas tem uma coisa que, atualmente, consome as energias. Deve ser o inferno astral. Clariciana na quarta e balzaquiana na quinta. No fundo no fundo eu to morrendo de medo. A vida é um rastro de acontecimentos doloridos e inesperados. Eu bebo pra aliviar o medo do futuro, mesmo me arrastando nessas noções Agambenianas de presente infinito, de profanações diárias, de um testemunho impossível... sobrevivi. Cheguei aos trinta! Plagiando Mia Couto, mulata de raças e de existências. Minha vida me importa, mas aquela coisa que não sei o nome passou a ter mais valor que o amor, quem diria. No braço esquerdo, "ame", no braço direito, "eu me recuso". Essas são minhas contradições. Sabe a música do Caetano, uma tigresa... com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher. Que tem ódio no coração, que tem dado muito amor. Tão eu! Vez ou outra tenho ódio dos meus pais, depois passa, mas tem vez que dói até o osso, hoje foi desses dias.... de ódio até os ossos. Tenho vontade de dizer para o meu pai que sou dona das divinas tetas! Que sou uma vaca profana desde que nasci e que ele me causa náuseas. Pai, onde queres dinheiro sou paixão!!!!! Minha família ainda é o que de mais podre e sublime carrego na alma. De sublime só a bruta flor que me fizeram ter. De quereres eu desejo o clã, o carlitos, a frida, todos os tchapas, a casinha e até mesmo as samambaias na varanda. Desejo pra 2017 muitos livros, horas e horas gastas na mesa de estudos, na cama, na praça de mãos dadas, na favela, na varanda, na tranquilidade das minhas maconhas e no silêncios das minhas digressões. Desejo Chopin, Nocturne op.9 n.2!Clair de lune. Spring Waltz. Sempre quis aprender piano, mas a vida não deixou. Quando pedi um teclado pra minha mãe, ela me disse que era inútil, me deu um walkman. Depois eu sai de casa, aí as prioridades eram outras. Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Mas no meio do caos eu conheci Carlitos, e ele me deu a esperança que faltava na desesperança cotidiana da falta de sentido. Ele é o respiro entre as descargas elétricas da vida. Nunca imaginei que um homem hétero poderia me fazer tão bem. A Doyonne Queiroz rejeita os héteros, mas ama Carlitos. Vou mudar de nome no cartório. Doyonne não tem sexo, não tem família e muito menos expectativas. É, jamais imaginei que me envolveria com outro homem. Eles são asquerosos e insuportáveis. Complete necturnes. Mas Carlitos respeita minhas confusões. Meu estado independente. Meu cigarro no canto da boca. Minha vagina dolorida, meu sexo cheio de traumas e esse jeito livre de querer sempre algo mais.
Sou viciada em excessos..... Nina me mostrou isso naquele livro de artista, e disse que era tão eu. É.... ela é guardiã dos meus segredos, das dores inexplicáveis, dos abcessos sem sentido.
Eu conheço Carlito a menos de meses, e ele já me fez ouvir " A banda mais bonita da cidade"..... outra vez, mais uma vez e outra vez.
https://www.youtube.com/watch?v=_bT8r5Kgwks
Nunca diga não pra mim!
Acho que aquela coisa que não sei o nome tem cheiro de silêncio e calmaria.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Voltando pra casa
Depois de um tempo a gente retorna à família. Mais velha, com os dedos amarelos e o cabelo loiro, curto, mais penduricalhos na cara e rabiscos pelo corpo. Com o tempo aprenderam a me respeitar. Com o tempo aprendi a ama-los de um outro modo. As rusgas da mãe e o cansaço da avó derretem as armaduras dos últimos anos. Nos olhamos quietas, acho que compreendemos o peso do tempo. As falas parecem de outra época. Rimos de imbecilidades familiares, ficamos em silêncio quando o assunto é política.... Vez ou outra é melhor manter a neutralidade. Pararam de zuar minhas roupas, meus colares, minhas escolhas. Acho que eles entenderam que sou assim mesmo, devolvo o elogia às mulheres da casa, os homens ainda me dão uma certa náusea. Nossas mãos se parecem tanto! Tem também um certo jeito no sorriso, no canto dos olhos, no movimento dos braços. Eles não me conhecem! Também não sei muito dessas personalidades que ressoam passado e vínculos de sangue. As memórias retornam feito fantasmas. Depois que todos se deitam caminho pé a pé pelos corredores da casa, pela varanda e cozinha. Éramos bestas mulheres e meninas tentando dar conta do inesperado, do incompreensível, do não se sabe. Hoje a gente reconhece a semelhança nas curvas das mãos e no canto dos olhos, em silêncio a gente se respeita. É.... O tempo da cabo de uma porrada de dor!
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
13 de dezembro de 2016
Aprovaram a PEC. As pessoas continuam apanhando e sendo presas. A PM reprime as manifestações, em São Paulo é pior. Mataram o filho da Tati Quebra Barraco, mais um, esse (e esses) sem bala de borracha. Assisti o documentário da Janis e pensei que seria melhor que as pessoas fossem assim, intensas e apaixonadas. Acho que a força do capitalismo mundial integrado endureceu os corpos, sofremos de desejo. Chove bastante. As pessoas continuam morrendo nas favelas, apanhando nas ocupações e sendo silenciadas em qualquer máquina de poder. O desespero aumenta quando vejo o poder que a Globo ainda tem, e ainda terá. É tudo uma grande farsa, vivemos um roteiro de cinema, o céu se desmancha e a gente chora a morte do ator. Já quis ser uma grande artista, hoje acho que isso não faz sentido algum, depois de Mariana qualquer tentativa de arte é merda. Prefiro o silêncio, o carinho, o tesão e o amor entre os pulmões. Afetos revolucionários. Deixar-se contaminar por si mesmo, me parece ser essa a grande revolução. O mundo vibra deslocamentos diários, sinto que é melhor escutar a chuva e deixar correr o tempo das coisas. Não imaginei que veria o mundo ruir na minha frente, enquanto os alarmes disparam seus alertas o coração só pede pausa. Calma. Afago. Arrego. Fiz um chá de camomila e lembrei da Janis, da Amy, da Camille... Penso que o mundo é um lugar onde você pode ouvir a voz por detrás do espelho, feitos os livros do LGA (o policial morto pelos excessos de hipócritas). Ouvir o grito de dentro e deixar que do lado de fora respingue pulsões. O mundo escancara podridões, o falso é verdadeiro e o verdadeiro é falso. Não acredito mais na história, nos heróis, nos conceitos fudidos que me fizeram engolir. Tô querendo dar um rolê por aí... Deixar a banda dos contornos mais leve. Enfim... Acendo outro cigarro e coloco Janis.
domingo, 11 de dezembro de 2016
sábado, 10 de dezembro de 2016
Pelas inconstâncias
Eu sou do tipo que se perde fácil. Deixo as intensidades guiarem o caminho, um pedaço de pão e um copo de rum. No meio da rua caminho absorta de dentro dos sonhos. Sonho um bocado. Sem Democracia, pós-golpe, mídia golpista, era do trauma.... A gente segue desejando o amor, mas de longe, do outro lado. O amor tem dessas coisas, vai cavando buraquinhos e quando a gente menos espera, pá! Retardada de carteirinha perco o rumo do fio, o início da fila, a promoção do supermercado. Perdi o prumo, e do amor exijo somente cuidado, já que de longe a vida segue ferindo e de dentro a gente se perde um bocado....