terça-feira, 3 de maio de 2022

Escurecendo

 Todos os dias;

escrever um pouco. aliviar a gota escura na boca, a nicotina que escorre.

Todos os dias faleço. Perco. Renovo.

Não sou mais nada, não sei mais nada.

sobre o que escrevo desde sempre?

Sobre as incompreensões. 

sábado, 23 de abril de 2022

sobre:

Depois de violências extremas o corpo cala.

nem precisa dizer pra quem se diz

Sua capacidade de manipulação é insólita. Existe uma mentira permanente e isso me tira o fôlego. Sua incapacidade de olhar nos olhos e dizer. Sempre foi assim...desde 1900 e bolinhas. Sempre foi possível reconhecer, é coisa de sentimento, a gente sente e ponto. Esperei muito mais e a cara foi quebrada em um soco bem violento, silencioso, uma mudança de estado... literalmente. Um mal de 4 pernas saídas de dentro de um útero podre, cheio de dores e sangue. Uma dívida imensa, uma completa falta de empatia diante de tantos não -lugares, não -saberes, não - contribuir e amenizar a dor. Me dói. E não é de agora, é de antes... muito antes. Um acumulado de dores sobrepostas. Espero somente que você saia e que eu consiga limpar o sangue do lençol e jogar os fetos pra longe dos pesadelos constantes. Fetos... Que palavra suja, sem gosto. É pra isso q mulheres servem homens na história, enaltecer falos e adoecer úteros. Pois eu terei mais um filho de uma mulher, dentro do meu útero doente renasce a vida incompleta pós-violência, você nunca vai saber o que é isso. Eu sempre falei demais, porém, pra você eu entrego todos meus não-dizeres absolutos.  Meu silêncio abrupto. Minha vontade imensa de te querer pra longe. Te rasgo com unhas inexistentes de dentro do meu peito. Não choro uma lágrima porque sempre lembro da quantidade de sangue e isso alivia meu ódio. Senti dores no corpo, cólicas constantes, falência múltipla dos órgãos, dívida ativa, mofo, podridão. Você sequer liberou meu nome, pelo contrário, me colocou em dúvidas-divídas profundas. Olho e não vejo. Olho e não sinto nada. Olho e sinto as mentiras de véspera de viagens, de violência na cama, no sexo, no gozo ..uma violência tão sutil que só aparece pela insistência de cólicas e insônias. 
Espero que você vá e leve.
Só isso.

quarta-feira, 16 de março de 2022

a arte

Me sinto exausta. 
Nem sei mais se acredito na tal da saúde. O que que é isso?
Tudo mudou tão rápido. Não sabia que comportamentos mudavam assim, precisamos estudar o vazio. O buraco negro. 
Cortamos os laços de lá maneira que estremecemos as pernas, os ossos, a mandíbula e o sangue. 
Saúde é conseguir sobreviver, privilegiados aqueles que conseguem resistir a falta. 
Envelheço tão rápido, o tempo tem sido curto, muitos afazeres. Perdi dois dentes e aquele espaço continua incompleto. 
Louise borgeoius e Carolina de Jesus 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

a existência

Eu sempre achei que de alguma maneira a arte salvaria a humanidade da desgraça. Hoje eu tenho certeza. Exceto essa arte branca elitista, a arte enquanto tomada de decisão do sujeito que vive o vai e vem da opressão, a arte é o que move. Ela existe enquanto possibilidade de rasura do sistema vigente. Do sistema que nutre uma falsa sensação de vida. Desintegrada da natureza a vida é superficial, ela não se sustenta. Ela é balela de ganhos materiais pra encobrir os traumas. Esconder os traumas foi nossa pior decisão. Vamos pagar Caro, muito caro por tudo isso.

Apocalipse

Nós ressuscitamos como a morte de uma geração inteira. Perdemos inteiramente qualquer priprisito pré-determinado. O que eu sinto é que só existe a alternativa da reconstrução. Precisamos reconstruir a existência. Uma.nova forma de existir.