segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Sapucaí

A gente junto é uma coisa, um estrondo, um arrepio. Eu gosto de andar com você a noite na rua, ver você ficando sem graça com a galera te gritando em cada esquina, e sua gentileza em responder todo mundo. Você é uma pessoa incrível. O cara perguntou se a gente era um casal, cê olhou pra mim com a cara mais apaixonada e disse: a gente é um casal?! Claro que eu não respondi. E sua resposta pro cara foi essa: não sei se a gente é um casal, mas a gente se ama muito.
É isso!
Seguimos partilhando a vida.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

D.J

Espasmos corporais
Choques pelo corpo.
Você me estremece o osso.
Pernas bambas. De onde vem tudo isso?
Você me roubou o amor. Eu não fiz nada, só era pra ser assim.
A gente uai!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Um Acontecimento Cósmico

Começamos do começo.
Fechei os olhos e casei, ao contrário, minha gravata era vermelha. 
Você sempre deslumbrante e sexy e essa gostosura completa. 
A gente se parece com duas onças, pois bem. 
A pele pegando fogo.  
Um rasgo de línguas por debaixo do travesseiro, a gente ferve. 
Liberdade e tesão. 
Obrigada por ser tão gentil e partilhar tanto amor. 

sábado, 7 de janeiro de 2023

Memórias Oportunistas

O subterfúgio da mente presente, da memória recente. Depois que a gente sai desse processo assustador de controle emocional é que a gente entende. Fico me perguntando porque nós mulheres somos tão facilmente ludibriadas pelo amor romântico. Uma espécie de fraqueza feminina, resquícios de uma sociedade extremamente machista e patriarcal. Resquícios que se acumulam em novas e repaginadas violências. Poder existir na plenitude máxima do seu ser é uma luta diária. Parir de buceta rasgada, depressão e cândidas emocionais que não se curam facilmente. Romper o ciclo, isso importa. É um desafio, é necessário coragem e uma força assustadoramente renovada. 

E é aí que vem o momento mais precioso do universo, esse prazer consigo mesma. É incrível.

Chegamos aos 3.6 de uma forma incrivelmente inventiva. Agradeço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

taxativa

Escarram violência sobre meu corpo. Não respeitam minha sexualidade, minha profissão, meu jeito de criar minha filha. Me desrespeitam continuamente, basta uma exigência de direitos. Mulheres vítimas de violência por um babaca manipulador. É bizarro o sistema. O patriarcado come por dentro as singularidades de cada mulher. E elas vomitam em mim suas opressões, pois bem, recebo! Eu, uma mulher branca, acredito que nesse instante é melhor me manter calada e receber essa gosma grudenta. Minha raça fede! Porém, não me peçam pra engoli-la, isso eu não vou fazer! Como mulher, vomitem em mim, mulheres!não fechem seus olhos, abram e deixem escorrer a dor. 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

meus olhos se foram

Dentro de mim um furacão.
Me perco cheia de pedaços no chão descalço, um furo no pé distante.
De dentro de mim os trapos se transformam no útero poderoso. Ela, a sagrada mão da mãe. Toque fino com os dedos ao redor dos olhos, aperte até que exploda.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

não poder ver

Eu tomei uma decisão. Iara, eu tomei uma decisão. Eu fui lá e fiz, pronto! Não aguentava mais, estava me doendo aquele tanto de sangue na memória. Não quero ver, de jeito nenhum. Quero que seja muito feliz, mas, por enquanto, ainda dói. Estou cuidando da minha saúde, antidepressivos todos os dias. Quem diria, logo eu, aquela de tantas certezas. Aquele duplo fio de sangue me rompeu por dentro, me senti violentada, desrespeitada. Não dei conta, fui lá e fiz. Não pode me ligar, não pode vir na minha casa, não pode me ver. É isso, não poder ver, eu quero esse direito, eu posso exercer esse direito.