sábado, 20 de maio de 2023

Úde

Um tanto de erro do passado.
Um tanto de trauma borbulhando.
Um tanto de medo.
Um amor tão bonito e um medo absurdo de não merecer. 
Ela chegou feito um furacão no meu peito doído, no meu corpo rasgado, na minha vida solitária. E eu só queria saber amar bonito, mas, a gente que viveu um tanto de dor sabota o amor.
É difícil existir com esse emaranhado confuso destruindo coisas boas, é difícil saber amar 

domingo, 16 de abril de 2023

foi-se

Com toda hostilidade masculina, foi-se. Foisse. O que é? Uma percepção absolutamente abstrata do fim, um viver de mentiras que afeta.

terça-feira, 4 de abril de 2023

dona coruja

O amor é revolucionário. Mover montanhas de mundos. Revolucionar os afetos,desbloquear a dor. 
Dona coruja me derrubou, e foi assim que eu amei. Amei a mim mesma de tanta dor.

quinta-feira, 30 de março de 2023

explosão

Quando eu não sou eu as violências me atacam de uma maneira tão dolorida, isso tudo por causa de uma sombra. Desde que eu nasci, eu aprendi sobre a falta, um peixe que causa pânico. Qual peixe causa pânico? Aquele com uma aparência fora do comum. Ser comum. Eu nunca me senti comum, eu nunca quis fechar as pernas, minha mãe odiava meu jeito e me dizia sempre que fui trocada na maternidade. Uma família branca, pobre, do interior de Minas... Cheia de privilégios. Minha família missigenada que não conseguiu sequer indentificar o estupro familiar. A violência dura de violarem seu corpo constantemente, dói demais, a gente se sente na inexistência. Sempre me senti inexistente. Eu não pertencia a nenhum lugar até o dia pisei no teatro. Aquele chão de taco salvou minha vida. Minha mãe me acusou de ladra e órfão. Meu pai tentou pegar nos meus seios e me ensinou, muito pequena, que as pessoas que moravam na rua eram exatamente igual a nós. Meu pai, um bolsonarista frustado fã de Raul Seixas, ele e seus amigos gays (só entre a gente que se lê, eu sempre soube que meu pai era um gay artista e q eu não poderia ser igual ele pq a frustração enrrigecia o amor, e eu, De alguma maneira.... Entendi o amor. Meu pai, um homem pardo, filho de indiginenas, bruxos [sim, no masculino, meu bisavô era um bruxo discípulo de São Cipriano] escravizados e portugueses, a clássica história é minha ancestralidade. Uma branca privilegiada, e eu sei o quanto isso me faz estar aqui agora e .
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Eu vivi, cresci e me estraçalhei questionando o que era verdade e o que era mentira. Isso sempre foi a maior questão da minha existência, pq me lembro muito pequena duvidando da existência.

quarta-feira, 29 de março de 2023

ser

Se olho pra mim com distanciamento a arte sempre foi um processo de cura da doença que é estar no mundo sem pertencer a classe privilegiada. E quando digo "classe privilegiada" exerço minha autonomia do pensamento. É uma certa classe que não percebe que ter dinheiro muda tudo. Uma classe que exerce seu poder em silêncio, e todos os proletariados fálicos de Marx, resistem na dor de serem também massacrados. Sucumbimos. É necessário repensar todos os conceitos que fundam nossa normatividade violenta e adestradora de subjetividades. Uma política fundada a partir do afeto, uma cultura que é fruto do exercício político do cuidado. 

Rever áudios do whatsapp não altera o desejo de imaginar, a ação de sentir concretamente o afeto. Vamos adoecer nossos corpos se substituirmos, em nossos sonhos, nossa imagem de carne e osso por avatares embranquecidos, pálidos, limpos e saudáveis. A normatização da saúde adoecida corroe qualquer possibilidade de invenção de existências distintas da massa. 
Precisamos resistir. Cotidianamente. Micropolítica é fundante de afeto saudável, livre e pertencente. 

vômito poético

Não sei se é exatamente o que eu queria, mas, eu encontrei o meus escapes. Estou começando a conseguir organizar no meu corpo-mente-ambiente os meus desejos espalhados sobre mim por e pelo mundo. (re) existo! E parece tão idiota dizer assim, mas quem é que não precisa vomitar verdades depois da dor?!

terça-feira, 21 de março de 2023

morrer

Você vai ao médico porque está emagrecer muito rápido.
É um câncer cabuloso e você vai morrer rapidamente, tudo vai parar, não há o que se fazer. A vida escorre em um limite muito presente. Só importa o que se vive...

Lembrei da Cecília Bizoto e daquela tragédia. A vida é breve. O amor há de renascer das cinzas

Agora.