segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Frisando 2012


Vai la e se joga
Vai la e se enfia
Se fia
Frisa.
Coloque o corpo na estrada
A alma no tesão
E o gozo na vida.
Ame o fundo
O poço
O osso
Roa antes do rato
Coma antes do peixe
E ame antes do gato.
Peça bis
Ria feliz
Chore de dor.
Intensifique a potência
Mude de estação
Perverta o calor.
Ame
Ame
Ame
Sem distinção.
Goze
Goze
Goze
Sem moderação.
Chore
Chore
Chore
Sem motivo aparente.
Sinta paz e dor
Sinta desejo e amor
Sinta você e Deus nessa paz que somente sua alma sabe de onde vem
Um intenso 2012 meus amores!!!!!!!!!!!!!!!!!

Terminando....

Tanta coisa pra dizer desse ano que acaba hoje. Último dia, quem diria que cada coisa estaria em seu devido lugar...pois é! Aconteceram milhares e milhares de coisas, termino feliz e com 8 quilos a menos, rs!Terminei um namoro de dois anos(graças a Deus!), conheci uma menina linda que me apresentou Maria Gadu e me provou que a vida pode ser mais leve, mesmo ouvido Luan Santana. Conheci Taís, lá de Macaé que me ajudou a descer ladeiras e subir montanhas. Carolzinha me mostrando e me ajudando a entender o quanto tudo isso que vivo é suportável e pode ser importante. Zuza me ouvindo todos os dias e o dia todo. Willian cuidando de mim e das minhas loucuras diárias. Mari e Pri, duas eternas companheiras!Rafa correndo cidades e estradas pra sobrevivermos juntos e juntos criando “Uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o que.” Moniquete me ensinando mais sobre a vida. Samuca, Dani e Gabi fumando meus cigarros eternos cheios de inspirações e tristezas. Tocinho me embriagando de conhaque e outras cositas mais. Camila preenchendo minhas noites e minha mente. Lipe, Érica, Paty  e Ana Ju deixando meus dias mais leves e cheios de amor. As Marinas me fazendo acreditar. Lu, Sarinha, Nildo e Raquel tecendo minhas boas lembranças e um presente mais doce. A faculdade me levando para o D.A e as aulas de Arte moderna com o Marcos Hill. O conexão que não para nunca e sustenta minha sanidade. Os livros que li, os filmes que eu vi, a Tv nova e o Play 3, minha casinha deliciosa, meus incensos e meu altar materializando minhas conquistas.
Juro que 2011 não foi um ano fácil, não mesmo!Mas quando olho pra trás só consigo perceber coisas boas e necessárias, dores importantes e feridas reafirmando minha coragem. Cumpri as metas! Realizei sonhos! Fui na cachoeira e passei um mês criando e pirando em Diamantina! Teve Rio milhões de vezes, festivais, fracassos,  prêmios e aplausos. Não tive medo de estar com a Amanda e muito menos de não estar com o Marcelo. La em Niterói conheci a Vivian e depois o Fabio. Fui na Umbanda, joguei baralho cigano e tarot. Senti saudade do José e do Ronaldo. Chorei, chorei, chorei, chorei e depois parei. Escrevi muito, pintei pouco e resolvi pintar as unhas da mão. Nuuuuuuuu, fiz coisas de mais!Graças a Deus!
Desejo a todo mundo que às vezes passa por aqui muita paz e luz. Mas principalmente muito amor, em tudo e por todos. Sejamos doces e humildes, sempre. Sejamos sinceros, intensos e inteiros. Amo todos Vocês!Obrigada!Um maravilhoso e surpreendente 2012 .... corram, pulem, se enfiem de cabeça....mas sobretudo...AME.
Um beijo na alma
Dayane Lacerda


Saindo do hospital

Estranho, tem chovido aqui. Chovido muito. Estive doente, nessa imensa sala de recuperação os doutores cuidaram da minha saúde. Não sei se estou completamente curada, mas já me sinto mais forte. Devo ir embora no domingo, primeiro dia do ano e eu retorno pra minha vida de antes. Simbólico. Foram bons todos os silêncios e todo tédio. Ainda não consegui largar o cigarro, mas acredito que essa empreitada início depois. O que antes chamei de tédio agora entendo como paz, estive em paz durante todos esses dias, quando podia sair pra tomar um ar, corria para o parque e brincava com as crianças. Como são delicadas e leves, como elas me fazem um enorme bem. Quando subi no carrinho de supermercado e desci a rampa, rindo e escutando risadas, me curei de quase tudo, naquele instante entendi que meu lugar na terra faz parte de algo que me proponho para o outro. Paz!Não foi o álcool e muito menos qualquer tipo de entorpecente que me fez sentir a vida voltando, foram aquelas crianças, aquela inigualável e necessária insensatez. É, sou mesmo uma insensata, uma boba que carrega na alma um amor imenso por tudo. Quem disse que amar não dói?! Quem disse que a dor é ruim?! Que a dor não é necessária?! Que a doença não nos faz retornar mais fortes?!
Receitaram-me alguns comprimidos, dentre eles seguem: abraçar árvores, compreender o tédio, rezar, estudar, parar de fumar, beber menos, evitar qualquer tipo de droga, amar muito, ser doce e humilde, fazer exercícios físicos, chorar duas vezes por semana, escrever, ouvir, ouvir muito e perdoar. Perdoar é o mais difícil de engolir, mas venho tentando.
Simples essa chuva que não para. Estranho, aqui tem chovido todos os dias, mas quem disse que chover não lava?! Que secar não espera?! Que esperar não cura?!
Devo voltar pra casa no domingo, primeiro dia do ano, primeiro dia do mês. Simbólico. O mês do meu aniversário... 25 anos, estranho...
É, não para de chover... Me sinto mais forte, quase curada... Simbólico. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Murchando

“A sua lembrança me dói tanto, eu canto pra ver se espanto esse mal.“ Meu Deus!Quando me recordo de tudo, me assusto. A sensação é de ter sido colocada dentro de um filme do Hitcock, ou O Processo, do Kafka. Paro, e choro durante 10 segundos. Depois me encabulo com as lembranças. Pérfida e doentia essa história que carrego nas mãos. Obscura e sinuosa, como as serpentes. De um lado a doença, do outro, as incontáveis mentiras. Não sei qual a pior, e sinceramente, por qual dos motivos ainda choro. Talvez por nenhum dos dois, e sim pelo terceiro: Luto! Faz meses que vivo de luto, andando pelas ruas como alguém que perdeu a vida e procura em qualquer transeunte a salvação de sua dor “Uma história de amor sem ponto final. “ Sinusite atacada e insônia, tudo o que ele conseguiu deixar pra trás “Saudades fúteis, saudades frágeis, meros papéis”. Além das incontáveis dores nos ossos, feridas entre as pernas e olheiras. Ah, tem também os dentes amarelos de cigarros e a falta de concentração. Mas passa...Sempre passa, porque não haveria de passar?! Sabe como escolho as músicas? Pelo título: “Desalento”, “Flor de Liz”, “Você não ouviu”, “Desencontro”, Amanhã, ninguém sabe” ...E por ai vai! Pra ver se do além Deus me manda algum sinal, o pior é que ele manda! “Traga-me um violão, antes que o amor acabe”, mas ele já acabou!?! Que sinal é esse?! Pra não desistir? Não deixar de amar, porque um dia aquela pessoa aparece?! Sei lá... São só tentativas, vou caminhando pelos filmes do Almodóvar, outros do Godat... Me deixando levar!
“Você não ouvir o samba que eu lhe trouxe. Eu lhe trouxe rosas, eu lhe trouxe um doce. As rosas vão murchando o que era doce acabou-se.”

sábado, 24 de dezembro de 2011

PARA NÃO-VOCÊ


Minha história começa no fim. Acordei em uma manhã quase quente, em meio ao desespero matei minhas plantas, e junto delas, matei você.  Escolhi-te, com toda a dor e todo mal, escolhi você. É assim, a gente escolhe quando menos imagina. Imaginação fértil e inexistente na prática maliciosa do silêncio. Hoje sendo clara, eu sinto apertos, garganta rasgada em cigarros e gritos engolidos a força, ainda não acredito que acreditei em você. Esse você que não reconheço mais, que não faz parte de nada que um dia eu vi nascer.  Guardei os trapos, refiz os pedaços, endireitei minha alma. Chega de escrever pra você. Chega de acreditar que algo poderia mudar e ainda ter esperanças em um bom caráter que não existe. Você não existe. Esse você que inventei é somente meu, isso que ainda carrego, é meu feto, meu morto.  Esse não-você é minha falta, esse você é minha gargalhada tristonha de ter me esbarrado com o mal. O não-você é nostalgia, bons momentos, minha felicidade de criação, meu amigo imaginário, minha boneca de vidro, meus estados de artista. Esse você é uma dor rançosa, enlameada, freio, desistência, falta de força. Não-você ainda existe em mim, nos meus sonhos, faz parte do amor que sinto. Você é mágoa, tristeza, decepção. Não-você foi o amor que perdi, a morte que escorreu pelos dedos, a necessidade de realidade e cuidado. Você é farpa, espinho, maldição, doença, coceira, íngua e pesadelo. Não-você é saber até onde consigo ir, até onde consigo criar, minha potencialidade exacerbada e meu amor imenso por tudo. Você dói, você maltrata, você arranca, você ensurdece e despotencializa o potencial. Não-você sou eu, tudo o que projetei e vi nascer. Você é vampiro. Não-você é flor. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um transformar sem recomeço...

Indo pra cama. De uma forma ou de outra tenho me sustentado. Corpo inteiro e alma faminta. Faminta do desconhecido que bate minha porta. Nada se desfaz sem sua necessidade de existir, nada acontece sem nossa grande necessidade de reconhecimento e vivência. O que passa, segue na íntegra, o passado sustenta o presente. Meus olhos esvanecem-se no vento trazendo um novo corpo e uma solidão cheia de paz. Suporto o insuportável, dentro de mim um novo jardim começa a dar flores. Margaridas e orquídeas ocupando o mesmo espaço, o lixo se torna adubo, meu choro doce molha a folha das plantas, minha alma picada e novamente erguida ilumina esse espaço que me arrefece o espírito. Deus tocou minhas mãos, Deus se aproximou de mim. Deus e seu tecido de seda tecendo novas estradas e abrindo novos caminhos. Um Deus que sou eu e pela dor me pertence, pela alegria me é, pela vontade me fortalece. Portas abertas com sol, muito sol, me mostrando a poeira em cima dos móveis. Esses raios adentrando os quartos e a sala, iluminando a escuridão dos cantos, apresentando o envelhecimento dos costumes guardados. Cuido de tudo, com calma e delicadeza removo a poeira, troco a roupa de cama, pinto as paredes, me preparo para novos costumes e novas promessas. Rasgada pela imensidão de uma felicidade desconhecida, inchada de novos afazeres e desejos, inteiramente elevada pela exaltação do amor em mim, eu sigo. Sigo por Deus e por nós. Pela camada estreita renovando meus ossos, adentrando nesse oásis de uma gestação precoce, um aborto espontâneo, uma morte que resulta em vida, uma vida que alimenta e me transforma em Deus. Deus que vejo na poeira dos cantos, nos cantos das senhoras, nas senhoras dos adeuses, nos adeuses das esperas e finalmente nas esperas das paixões, dos novos amores, das novas trocas e desse amargo silêncio feliz que me renova. Deus. Eu. Um Deus-eu sem memória, imbuído de histórias/presente, presente do céu, presente em mim, em mim um presente de mim mesma.  Orquídeas e margaridas, violetas e begônias, rosas e cravos, flores, papéis, família, casa, corpos pelo caminho, diários, amigos...Meu Deus, respiro, meu pulmão se enche e se esvazia. Transformo. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FORTE COMO UM TOURO

"É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Aleluia, grito eu, aleluia que se funde com o mais escuro uivo humano da dor de separação mas é grito de felicidade diabõlica. Porque ninguém me prende mais. Continuo com capacidade de raciocínio - já estudei matemática que é a loucura do raciocínio - mas agora quero o plasma - quero me alimentar diretamente da placenta. Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é desconhecido. O próximo instante é feito por mim? ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com uma desenvoltura de toureiro na arena"