sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Desfragmentada

... Por um instante ela percebeu que estava sem sapatos. Sentia na pele a dureza de um chão frio e molhado, e era sentindo que percebia os pés, era doendo que sentia falta dos sapatos, era pisando naquele chão frio e molhado que acolhia a terra. Ela amava, amava aquele momento onde sua percepção ultrapassava a racionalidade, amava os calos e as dores de quem anda descalço, amava a felicidade que sentia quando a água limpa se enroscava entre os dedos dos pés. Ela sonhava com as milhares de possibilidades que poderia sentir em cada solo, asfalto, grama, lama, penhasco... Não se interessava mais por tênis, saltos ou sandálias, não sentia falta de cadarços ou meias, não respirava pelos pulmões vazios enquanto os dedos dobrados e gordinhos não encontravam espaço pra correr sem ela. Eles iam, assim como seus antigos sapatos, eles se perdiam. Por um instante ela percebeu que estava sem os dedos dos pés. Sentia uma parte estranha tocando o chão e descobriu que cada dedo tocava um espaço no infinito, e foi nesse momento que ela fechou os olhos e compreendeu a sensação de cada dedo perdido no espaço. Depois de um tempo ela percebeu que não tinha mais os pés, e que eles pisavam firmes no mar de um país distante, enquanto os dedos tomavam banho em planetas que ela ainda não conhecia... Sentiu-se feliz. Foi nesse exato momento que ela encontrou uma de suas pernas agarrada no para-peito da janela, e quando olhou pro céu viu sua outra perna dando piruetas no ar. O corpo espalhado e disperso, agregava a alma uma sensação de leveza e suavidade, amando as muitas cidades e os milhares de vilarejos desconhecidos onde adormeciam no final da noite. Seus braços já haviam partido, um quis conhecer o deserto, enquanto o outro cumpria afazeres na China, foi exatamente ai que seus dedos se enroscaram nas raízes de árvores raras e profundas. Um olho no vento, um fio de cabelo pirulitando na praça, um pedaço da boca deslizando-se na cachoeira, um pé no asfalto, um dedo na lua, uma orelha no universo.... 
Ela era tudo aquilo dentro de um perfume. Ela era rosa e despenhadeiro, precipícios e encontros, desejos e planetas. E era amando que guardava no peito o refugio de cada parte desgarrada, esperando o dia que ,unidas, dançariam cada música que já foi cantada, cada promessa de amor que ainda não foi vivida, cada segredo escondido a sete chaves, cada vontade gritada em silêncio, cada pedido feito no fundo do coração.
Era assim que, depois do amor, ela calçaria os sapatos e pegaria o caminho de volta pra casa. 

"Quem sabe isso quer dizer amor."

Agradeço.
Agradeço a Deus todos os dias.
Agradeço cada detalhe, cada começo, cada nova possibilidade.
Agradeço os amigos, as perguntas, os encontros e os momentos.
Agradeço ter encontrado ela. Agradeço ter visto ela. Agradeço aquele espaço que se abre no tempo.
Agradeço ter continuado.
Agradeço por não ter desistido.
Agradeço sentir o coração amando outra vez... melhor e mais.
Agradeço por todos os dias e pelas manhãs ensolaradas (com direito a café da manhã e danoninho)
Eu não vou embora...
Eu não vou desistir...
Eu não vou chorar.
Te agradeço Denise, te agradeço por me fazer sentir tanto amor.
Te agradeço Deus, te agradeço por me fazer sentir a vida.
Agradeço e amo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

por hoje...

É preciso trabalho. É necessário coragem. Não sei como seguir adiante, mas pretendo e quero. Preciso!!!  não sei fazer outra coisa, não sei viver de outra maneira e me atormento constantemente por algo que não sei, mas sinto. Sinto!Se pudesse eu faria melhor, seria melhor... Não! não acredito em outra possibilidade de caminho, tenho medo... sinto medo, sei do medo e tenho medo. Peço a Deus uma proteçao imensa, mas sobretudo  coragem. É preciso acreditar, o resto é consequência...

domingo, 26 de agosto de 2012

Uma firmeza involuntária



 Foi assim que, desdobrando sentimentos, suas emoções cresceram dentro dela. O sol batia forte na cara, cegando um pouco a realidade, mas vivia abaixando as pálpebras e descobrindo, após aquela cegueira momentânea, que era lindo viver. Não bastasse a vida o amor começava a valer a pena e quando doía, quase que paralelamente, tornava-se menor os buracos vazios, crescendo a certeza de alguém, no fundo... ela mesma talvez. No fundo, um certo alguém. No fundo, um sonho. Um buraco, antes vazio, transbordava de amor, na rebarba outros vazios eram preenchidos... Sem dor. Sem dor era falta de costume, apreendendo a se acostumar. Foi mais ou menos nessa época que ela aprendeu a ganhar. Acostumada a perder perdeu o costume, logo que as plantas ficaram verdes e o sol abaixou-se um pouco e escondeu atrás de uma nuvem, ela viu! Viu que ganhar poderia fazer da dor um impulso feliz. E foi. Foi como quem vê,  escolheu a estrada e pisou firme na terra ainda úmida, seguiu na claridade ainda meio cega, acreditando em um simples impulso, tomando de guia uma emoção que por fim se tornava a paisagem de um corpo vivo de memórias aparentes e desejos absolutos. Nascida outra vez, estava pronta para cair e tinha as pernas firmes para se levantar. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Aquaplay




Por uma certa saudade, dessas que não se explica.
Me vi chorando um pouco e reabitando lugares, visitando lembranças.
Foi tanto, tanto se fez...
Passa!Sinto no passado, o hoje ja se torna ontem.
Coração dispara pela nostalgia de fotos, videos, momentos, recordações.
Fecho os olhos e vivo mais uma vez.
Levanto às 7h enquanto minha avó prepara o café da manhã
Meus irmãos colocam os uniformes
Me dissolvo nos detalhes
Detalhes
Poucos são os detalhes que ficam
O biscoito partido
Aquele dia de carnaval que fui parar no hospital por causa de uma cólica de rins
Minha mãe fazendo lasanha no domingo
Casa cheia
Chitãozinho e Xororó cantando "Aquele fio de cabelo bonito..."
Passa!
O tempo passa, as coisas passam.
Lembranças...
O que fica depois de tanto tempo fica pra sempre
Sempre!
Tudo por culpa do amor
Não se pede a uma pessoa que esqueça
Ninguém esquece
Amor de verdade dura pra sempre
mesmo que venham outros
Compreendo
Dói!Mas compreendo...
Não exijo
Me entrego apesar de.
Amanhã é um novo dia
do futuro só se sabe que vem
como ou quando ou quem... isso só o tempo
Tempo
Fabuloso tempo organizando as gavetas
jogando fora o desnecessário
Trancando a sete chaves o essencial
Meu essencial é segredo
Seus essenciais são pérolas guardadas nas lembranças...
Sinto!
e amo...
Amo como quem espera
O que?!
Lembranças que ainda não possuo 
Utopias
Vontades
Desejos
Meros romances escritos ao vento
Meras vontades jogadas no presente
Vou vivendo como quem espera partir
Como alguém que se acostumou a perder
E ganha!
Ganho!
Te amo.
Amo o que somos
O que conseguimos ser
Um dia desses eu volto pra casa
Abro a porta e preparo nosso café da manhã
A família toda reunida
meus irmãos crescidos
meus pais envelhecidos
Meu corpo carregado de histórias
Minha avó preparando o piqui
Meu irmão acendendo a churrasqueira
Minha prima rindo porque estamos juntas de novo
Minha tia contando sobre o nascimento dos gêmeos
Meus pés sentindo o retorno
Minha alma adormecendo no útero de cada um
Nosso silêncio de boca cheia
Nosso amor dolorido abrindo espaço no seio familiar
Nos curamos
Quem sabe um dia
Quem sabe um tempo
Retorno e começo de novo
Melhor e mais
E quem sabe nesse dia eu consiga pedir perdão
aceitar o perdão
e desculpar...
desculpar a vida pelos tantos erros que fizemos nascer
E amar
amar com tudo
tudo de novo
tudo outra vez
... como costumava acontecer nas festas de final de ano, com o fogão de lenha esquentando a feijoada e as crianças gritando no amigo oculto "Aquaplay, aquaplay, aquaplay..."

domingo, 19 de agosto de 2012

Silênciodermia.....


 “A esclerodermia é uma doença do tecido conjuntivo que envolve alterações na pele, nos vasos sanguíneos, nos músculos e nos órgãos internos. Ela é um tipo de doença autoimune, um problema que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano.”


O corpo atacando o corpo por engano, defesa de algo, lutando por alguma coisa… Não sei!
Tem feito frio aqui.
Tem feito frio e eu tô me sentindo muito feliz.
Sem cigarros.
Tentando diminuir o álcool.
Acreditando.
Acreditando muito nessa coisa nova que vejo nascer.
Tenho sentido dores na perna.
Tenho pensado que talvez seja melhor procurar um médico.
O corpo lutando contra o próprio corpo
… Tenho me sentido tão feliz.
Um pouco de dor antes dormir.
Um problema que ocorre.
Um pouco de medo.
Mas só um pouco.
Feliz.
Amando.
O corpo lutando contra o próprio corpo e eu não sei o porque.
Tenho pensado que são bons os dias.
As manhãs.
Tenho levantado cedo.
Minhas plantas crescem.
Meu entusiasmo aumenta.
Autoimune.
Do latim, immunis.
Queria ler a bula, mas não encontro.
Não encontro.
Estou tentando.
Tenho tentado.
Um pouco de medo quando faz frio.
Um pouco de dor.
Cansada.
Feliz.
Amando.
Quero continuar.
Coloco uma água pra ferver e preparo um café.
Torradas.
Pão de queijo.
Adoro queijo.
Adoro quando ela aparece na janela.
Adoro seus sapatos.
Seu cabelo.
Meus dedos dos pés são gordos.
Meu peito é caído.
Minha pele é mole.
Meus sonhos são enormes e inesperados.
Meu amor é imenso.
… um pouco de dor.
Meus riscos
Risos
Vontades e certezas
Tantas perguntas
Lá fora e aqui dentro
Aqui dentro e la fora
Autoimune
Lutando contra
Esqueço
Esqueço?!
O tempo passa e dentro da gente abrem-se espaços, registros no corpo, fotografias amarelecidas na alma, alguém que eu amei, alguém que eu amo, alguém que não me ama, pessoas correndo no corredor,  meu corpo lutando com ele mesmo, meus cigarros, minha casa, minhas xicaras, minhas lembranças, ah… Minhas lembranças, meu passado, meus tantos medos e meu silêncio. Uma flor seca. Uma flor brotando na varanda, uma margarida na alma.
Amoras.
Abacaxis.
Abacates.
Palavras espalhadas.
Tempo.
Acho que no fim isso é só uma carta de amor.
Não importa!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Te amo de amor

... se fosse menos eu não estaria aqui, se fosse mais não seria o impossível. É! É! É! Arranco de mim todas as crenças e deixo as experimentações de lado, a partir de hoje quero aprofundar no que já conheço e amar do fundo do meu osso seus ossos e seus músculos, os ossos e os músculos de quem topar acreditar que é de verdade, que é do fundo e que é de coração aberto que te amo de amor. É do meu osso que te amo de amor, é da alma que te amo de amor, é de amor que te amo de amor.


"Amar o próximo como a si mesmo; fazer para os outros o que queremos que os outros fizessem por nós. É a mais completa expressão da caridade, porque resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter guia mais seguro, a esse respeito, que tomando por medida, do que se deve fazer para os outros, o que se deseja para si. Com qual direito se exigiria dos semelhantes mais de bons procedimentos, de indulgência, de benevolência e de devotamento do que se os tem para com eles? A prática essas máximas tende à destruição do egoísmo: quando os homens as tomarem por normas de sua conduta e por base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade e farão reinar, entre eles, a paz e a justiça: não haverá mais nem ódios nem dissensões, mas união, concórdia e benevolência mútua."