sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Led dois

Led, dança pra mim L'absent?!

Led um

O led começa cheio de frisos ao seu redor. Enquanto ele dança os amigos retiram as garrafas. Ele continua, sendo interferido e perfurado pela sua própria vida que junto aos Racionais explica um pouco a historia de todo negro de periferia do país.

Ou...

Você pode pensar que não passa de uma historia boba, para comover quem precisa só de um pouco de leveza e um cigarro na vida.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Distancia

Quero aprender francês e espanhol. Quero sumir daqui. Me instalar em algum lugar. Distância. Ausência. Sofrer a solidão dos estrangeiros. Um corpo sem pátria. Uma voz desconhecida. Caetano e Pina. Meu desastre é esse corpo que sente demais. Meu desastre é algo sem nome, um paradoxo constante. A tranquilidade se opondo ao exagero de uma ansiedade sem limite. Acho que ser presa seria uma boa solução. Pensei: quero ser condenada à morte

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Boas novas

Eu nem sei direito por onde andam as coisas.
To tão sem tesão.
E agora?
Estímula o corpo que o pau sobe junto.
É o pinto ou o corpo que tem alma? algum tem?
Entupiram meu tesão
Estou estourando gorduras flácidas dentro... e ao redor de mim
Grossa.
Grosseira.
Grosseiramente inútil e doce.
Minha poesia é barata, sempre foi.
Agora sinto dúvida em tudo
Duvidam de mim? Duvidem!
Ando derretida de amor
Ao se derreter, o doce grudou na pele, (deixem-me em paz separando meu sujeito!!!O verbo que se ferre inteiro) na retirada ligeira levou junto o maior órgão do corpo

Existe uma certeza mística de algumas coisas
é como se eu soubesse... existe um tempo, uma justeza implacável!!!



A dona da tristeza se mudou para o meu quarto.
O mundo pesa ao redor de cada coisa que respira.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Pancada

A madeira continua lá fora, 100kg deitados confortavelmente na varanda. Ouvi Amy e Bjork com o Vitor, ele me apresentou Varg ( acho que é esse o nome), bebemos vodka, saquê e cigarros. 5/pontos e 10. Chegamos em casa tranquilos, felizes pela viagem e a visita. Comemos picanha! Vamos no bolão? Comecei a ler o novo livro do Damásio, mas o medo me interrompia inesperadamente. Tive febre, vômito e dores de cabeça, uma diarreia insuportável. Faz bem sentir o mundo em família, vez ou outra faz bem, senti que faz. Muito sangue. Coloquei o pão de queijo no forno. Preciso começar a estudar para o mestrado, minha mãe é insuportável e minha madrasta sente ciúmes de mim. Viajamos 12 horas, chegamos ansiosos e apreensivos. Decidi não tomar banho, voltei pra varanda. No dia 31 chorei feito criança lembrando da noite anterior, tive medo que meu irmão morresse. O médico disse: minha querida, claro, estou vendo seu osso. Fizemos um drink, festejamos nossa união e nos contamos do passado. Bebemos ate tarde da noite, todos dormiam, em Ituiutaba se dorme cedo. Rimos tanto de nossas bobagens, viramos a vodka, o saquê e a cerveja importada de tangerina.... Encorpada. Sentei na rede e ela caiu,  a madeira de 100kg atingiu em cheio minha cabeça e a do meu irmão. Sangue, muito sangue! 10 pontos na minha, 5 na dele, ele é novo, forte, faz muay thai, se esquivou pro fundo. Fomos no MC Donald e ele disse: magnífico, magnífico esse sanduíche! Bebemos suco de maracujá antes do almoço, fiz macarrão no forno. Chegando no hospital eu perguntei ao médico: tem que dar ponto? Ele me respondeu: minha querida! De perto sentimos o cheiro da girafa e do mico, gastamos R$6 no aquário, chinfro! Meu irmão detesta boné, mas não se pode tomar sol nos pontos, eles doem de tal maneira que, apesar da vida, o desejo é sentir o azar daquela pancada. Chorei deitada na cama, disse que tinha medo de ter ficado com a cabeça doente, qual não é? Dormi de um lado só, pra não abrir os pontos. O médico disse: encontrei farpas de madeira na sua cabeça. Serena. Tranquila. Calma na anestesia, a limpeza do machucado doeu tanto. Lacei as roupas de cama, arrumei a casa, sempre sinto que renova as energias. Pânico do telhado, sempre sonho com a madeira cedendo. Me sinto fraca demais pra aceitar o milagre da vida, dramática demais pra aceitar que estou bem. No desespero chegamos no pronto socorro sem chinelos, a enfermeira limpou meu sangue seco. Os pontos doem? Ouvimos velhas virgens, pink floyd, criolo e um tanto mais. Meu irmão cresceu. Sentei tranquila na varanda, mas a madeira deitada no chão trouxe aquele fiapo de vida. Estou viva. O que faço com ela? Sinceramente não sei. Discutimos teatro, planos, grupos. Sempre acho que vai cair mais madeiras, mais pesos, outras telhas e fiapos de madeira rompendo o fluxo tranquilo do cotidiano. Li o blog da Cida e pensei: será?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Outra vez

 Dessas coisas estranhas que não da pra saber direito de onde vem, mas vem... sempre vem!

Bate confusão e saudade, milhões de coisas paradoxais e invertidas. Não dá pra saber direito o sentido, muito menos pra onde vai, mas a alma sente, e sente muito. Eu sinto muito, sinto por tudo que saiu errado, por tudo que se desfez, por todas as falhas ingênuas, por cada milímetro de amor que não foi cuidado... Uma noite gelada e vazia, não era assim... A muito tempo deixou de ser o contrário, em um tempo onde a esperança era calçada, e o desejo um asfalto quente e movimentado, sem engarrafamentos. Uma caixa de grandes surpresas, é dessa maneira que a vida se apresenta, meio lenta, um pouco torta, por hora... fria, fria demais. Do outro lado tento me desviar do escuro, cobrindo a cara, chorando escondido, me embriagando subitamente, pra ver se passa. Mas quem disse que passa? Será sempre a mesma história, nos encontramos nesse medo bobo de inquietação e insatisfação crônica, tomamos um cappuccino e fumamos um cigarro, os três, cada um desviando-se do verdadeiro fato, da verdadeira falta, encontrando nas palavras não-ditas o cheiro podre de comida estragada, mas exibindo a olho nu, a falta de brilho, a mão que treme, o olhar vago no volante sem rumo.  Caminhamos pelas calçadas que construímos, aquelas nas quais depositamos a fé plena de seguir adiante. Se vale a pena ou não, não importa, nos reconhecemos no silêncio de nossas dores irrequietas e desconcertantes. Seguimos na indiferença falsa do “não nos importamos”, porque no fundo importa, importa muito, por isso o silêncio de um café inteiro, de uma manhã completa, uma tarde cinzenta e uma noite completamente vazia. Não tem importância, porque isso tudo que me preenche agora é uma coisa estranha, uma coisa sem nome...Bem ou mal eu sinto, e disso ninguém sabe direito, nem mesmo eu que vejo o centro do coração fervendo, que sinto o cheiro da alma fritando, do corpo caindo, da gota caindo na pia, o gosto do cigarro amargo ocupando lugares indiscretos e demasiadamente humanos.