domingo, 25 de setembro de 2016

Chove

Nesse instante chove. Absolutamente chove. Chove com uma força descomunal, feito o passado. Caem do céu todos os pedaços rejeitados que retornam à terra, caem e se doem dentro das poças de água fria.
Primavera, as flores do jardim brilham como nunca, faz calor. Vejo os relâmpagos pelo espelho, então eu penso q é melhor silenciar e escutar a chuva que toca.

domingo, 4 de setembro de 2016

Golpe

Tem sido difícil levantar da cama e ainda acreditar que é possível. Tem sido difícil ver o moço da padaria e a mulher do ponto de ônibus desistentes com as possibilidades de mudança. Mas eu acho q to bem. To depre com o golpe. To depre com o país. To depre com esse futuro meio suspenso e essa política-policia que tem feito do país uma bomba prestes a explodir. No mais eu tô seguindo. Tentando cuidar da saúde. Tentando cuidar dos cabelos e da alma. Mas as vezes fica tão difícil que eu prefiro sentar na varanda, fumar meu baseado e ficar ouvindo Gal costa, e pensando naqueles tempos onde ainda se tinha esperança. Eu não sei mais se estamos caminhando pra um buraco coronealista farsesco desigual desumano e ilegítimo ou se ainda vale a pena lutar por qualquer coisa q cheire a democracia. E bem do ladinho desse estado de excessão tem a vida, tem os afetos que não cessam de se esbarrar com o medo e a revolta. Tem o dia-a-dia, a carência, as dores que tbm não cessam, apesar de. Enfim... Estamos lutando, resistindo e botando, mais uma vez, a cabeça em uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o que.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Na falta de um gole....

Em um dia como o de hoje se deve chorar a falta. Aquela falta de um dia seguinte, ou até aquela mesma falta que se esvairiu na hora de ter coragem. Quando eu vi a Dilma defendendo a educação no senado arrepiei inteira... ahhhhh a Petrobras, o Golpe, essa globalização do inferno e os escravocratas vomitando um monte de "ritos-democráticos".

Aí eu lembrei da vida inteira, até dos amores eu me ocupei um tempo. As paixões.... sempre tão brega e tão difícil dizer delas de cabeça cheirando a álcool. Lembrei do moço da veterinária e seu machismo disfarçado de esquerda, lembrei das parcerias que não deram certo, das mulheres que me apaixonam e da falta de medo de uma população brasileira que, hoje, atesta o falecimento da sua democracia.

Matamos e morremos em dias nem sempre chuvosos, as vezes faz sol e brilha tanto esse azul do céu que parece tudo roteiro de cinema americano.

A gente vê o que a gente quer.

Teve também o povo do Kleber que desistiu da estatueta dourada, a dona Regina, aquela senadora, que despertou as durezas e delicadezas de uma mulher que se engasga ao dizer a palavra "falta".

Um dia histórico. Um dia comum. Uma cerveja no buteco e lembranças.... falta. Falta a falta de boas lembranças. A tal herança, senhor senador, é essa que você crava na chantagem de um sistema farsesco. Ou é um golpe, ou é uma farsa...

Pois é...

 Falta a paixão do impulso. Falta a coragem de um tempo sem medo. Falta tanto silêncio nas bocas que mastigam conexões interativas, chega a doer a alma.

Uma curva aprofundada na última vértebra, vamos começar a colar publicidades na calçada.

E o amor? Um mero comércio.

Eu resisti ao pó e decidi que correr com a cara queimando de sol vale mais  que a insensatez de um dia aos galopes...em golpe, ao gole. Na falta de um gole a gente bebe a garrafa inteira, vomita e reclama depois.

Sem aborto, mesmo com a irmã mais velha batendo pela primeira vez na porta da sala. Chá de canela e cabelo caindo feito as folhas da pitangueira que deu flores no inverno.

Flores... agora uma delas virou árvore.

E o inverno perdura dentro do senado brasileiro... Na falta de um gole eles deliram dentro da própria garrafa um golpe.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sem camisinha

Tenho amado essa coisa de Mulher Selvagem.
Quanto ce tem na poupança?
Tem dias que tudo bate na porta da cara sem vergonha.
Eu tenho desejo de amor. Amores.
Eu gosto de escuro.
Gosto de andar tateando as paredes.
O dinheiro é pouco praa tanta intensidade!
Cachaça.
Limão e cachaça.
Maconha.
Eu gosto de cocaína, mas é o mesmo problema com a vodka.
Não da.
To andando com a lua.
To achando que vale a pena a energia.
Me toca.
Bateu bateu, não bateu, esquece!
Sem camisinha.
Por favor....


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Em terra firme

Nesse instante, depois de todos esses vinte nove anos, a melhor coisa a se fazer é ficar em silêncio. É melhor correr todos os dias de manhã, parar cinco minutos e observar o sol quente. Manter o ritmo, diminuir a dor. Comprar flores e velas pra casa, acender incensos. Escutar na miúda de quem tenta uma vida o barulho denso do coração. Manter o foco, o chá e a esperança. Depois de morrer um pouco algumas coisas secam, mas aquilo que nasce na brutalidade de uma terra ferida é firme e intenso - dessas intensidades doces e felpudas - firmado em chão de quem tenta se tatear no escuro. Todos os dias dói um pouco, mas a cada dia dói menos.... É só uma certa saudade, um vapor que sopra a nuca, uma lembrança que, rememorada, modifica a memória que lhe deu origem.

...

Então no amor a gente tem a sensação que se perde mais do que se ganha, e só depois, bem depois é que a gente descobre o contrário.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Sobre

As idéias ficam pipocando na minha cabeça de um jeito patético, pensamentos idiotas.
Eu cresci no desajuste.