segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Nota pós-terreiro

Ontem estive no terreiro, tenho ido na tentativa de me conectar de novo com minha ancestralidade. Hoje me sinto mais leve, uma etnógrafa de mim mesma. Meus processos me cabem, e me sinto feliz por ter reconhecido o abuso e trancado a porta, nunca mais! Não reproduzir os padrões que vi todas as mulheres da minha vida vivenciando... relacionamentos tóxicos, mulheres oprimidas, corpas desajustadas em seu pertencimento. Não permito que mais nenhum homem me faça de idiota, me coma as entranhas, abafe minha liberdade e meu desejo pela vida. Não permito mais que me fira o útero! Ja tem uns dias que tô sentindo esperança, vontade, um desejo de trabalhar, ler, criar e cuidar da minha filha. Agradeço! Do fim se faz recomeços. Da secura fiz adubo, composteira de experiências. Renasço, apesar de. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

um alforismo

Pela manhã eu me assusto. Demoro um pouco pra entender a vida. Hoje pensei que trabalhar na saúde mental construiu um abismo nos meus processos criativos. Sei la, esse lado social opressor da vida me deixou quebrada. A necropolítica é muito real e ela dói tudo, aí eu cansei de fazer arte pra coisa boa ..sei la...perdi o jeito, fiquei amarga. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

35

 Fazem uns 5 meses que eu enlouqueci, desconfiei de mim e de quem eu era. Comecei a ter dentro uma sensação de não pertencer a vida, desejei morrer e sumir, estrela e adubo. Não sei o que aconteceu, estou obcecada por um pensamento absurdo, tenho certeza que foi aquele dia na casa do Raul, aquele tanto de sangue, aquela dor. Tenho sentido uma necessidade absurda de escrever, de reler meus 12 anos de escrita, tenho gastado horas nessa atividade quase inútil. To dolorida, meu peito ta rasgado, meu útero ta machucado, meus sonhos....minhas fantasias....se tornaram um amontoado de ruínas. Me dói, jamais imaginei que voltaria a sentir tudo isso, como a 12 anos atrás, um eterno retorno, a criança ferida e não nascida. Sou grata ao universo por tanto, tenho sorte, eu sei! Mas, a gente envelhece muito rápido, nesse envelhecimento eu perdi alguma coisa. O que é que eu vou fazer da vida se não consigo mais ler uma linha? Emburreci!

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Desajuste

Me veio uma coisa na cabeça hoje: Acho que aconteceu uma fenda na minha existência, ela se iniciou no dia que Aurora nasceu, o fim eu não sei, só vou saber depois de uns dois anos do fim.  Meu amor era o teatro, era tudo que eu tinha, então nasce um amor cabulosamente avassalador e transformador, eu perdi o prumo e o rumo. Eu perdi o teatro e preciso encontra-lo de novo. Só que ele não existe mais, ele mudou porque eu mudei completamente então talvez no fundo o que eu precise saber é sobre as minhas tais existências. Tudo isso que aconteceu com Carlos, cara...que LOUCURA! Jamais imaginei. O sumidouro foi crescendo, crescendo, crescendo....até que eu retornasse a um tempo que achei que não retornaria. O tempo desmoronou. Será que enlouqueci?


Seguir apesar de.

 Dói. Hoje conversei com você, uma longa conversa...te vejo passeando pela casa e sendo aquilo da insistência dos meus sonhos. Esquisito isso de te inventar aqui dentro. Choro um pouco todos os dias, as vezes dói de um jeito que parece que não vou aguentar, mas sigo firme, por ela! Fico me perguntando, e foi essa a pergunta que te fiz hoje na mesa, olhando pro vento da janela... Por que foi que você mentiu tanto? Eu sai tão destroçada de tudo isso. Todas as vezes. E parece que tudo retorna feito em fantasma, todo dia, o tempo todo. Relacionamentos abusivos arrancam um pedaço da gente e depois a gente tenta se reerguer, tem dia que parece impossível, feito hoje. Mas, eu sigo! Sigo tentando sobreviver. Sigo pra não enlouquecer. Sigo pra não desistir. Te amo, te olhando de longe, sigo.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Falta

Sinto saudade. 
As lembranças são feito móveis espalhados pelo corpo, tem dia q o móvel fala, range os dentes, mexe com o peito quieto. O amor é complexo e hoje fiquei me perguntando porque é que a gente ama aquilo que nos faz mal? E descobri que muitos dos meus móveis adquiri nesse complexo esquema, amor e dor. Foi assim que aprendi, desde pequena. Sinto sua falta e queria te escrever, tomar uma cerveja, bater um papo, transar....sonhei que a gente se pegava e era tão gostoso. Ôh, meus móveis rangendo! Perdemos tudo. Esfarelamos. Distruimos belezas. Não sei porque mas, será que você me odeia?! Claro! A portadora de suas derrotas sou eu. Alguma coisa me conta que é melhor assim, sinto uma saudade imensa, uma falta absurda....converso sozinha com você todos os dias. As vezes até te chamo do quarto pra cozinha. Dói, sento e choro um pouco. Depois continuo. E tem sido assim, e tem sido melhor, tem sido mais leve! Revejo fotos, limpo os móveis, abro gavetas, refaço lembranças. Sinto sua falta. Hoje escutei você um pouco no violão e segurei o choro na garganta, arranhei uma.porrada de móveis, doei, quebrei. Perdemos o amor fazendo faxina e esquecemos que botar tudo pra fora era arriscado, pois é, deu no que deu. Sinto sua falta todos os dias, e tenho certeza que é melhor assim.

terça-feira, 5 de julho de 2022

 Sabe, eu senti falta do seu amor todos os dias, mesmo que você estivesse ali. Senti falta de você, mesmo que você estivesse ali, é como se sempre existisse uma falta atenuando a dor, você nunca voltou....o q ce queria mesmo era se vingar, pois bem! Você venceu! Como eu te disse uma vez, nunca foi uma disputa. Porém, no final de tudo, parece que é a única coisa que ficou.  Agradeço nossa coragem de ter tido uma filha...

É o que resta?