sábado, 7 de janeiro de 2023

Memórias Oportunistas

O subterfúgio da mente presente, da memória recente. Depois que a gente sai desse processo assustador de controle emocional é que a gente entende. Fico me perguntando porque nós mulheres somos tão facilmente ludibriadas pelo amor romântico. Uma espécie de fraqueza feminina, resquícios de uma sociedade extremamente machista e patriarcal. Resquícios que se acumulam em novas e repaginadas violências. Poder existir na plenitude máxima do seu ser é uma luta diária. Parir de buceta rasgada, depressão e cândidas emocionais que não se curam facilmente. Romper o ciclo, isso importa. É um desafio, é necessário coragem e uma força assustadoramente renovada. 

E é aí que vem o momento mais precioso do universo, esse prazer consigo mesma. É incrível.

Chegamos aos 3.6 de uma forma incrivelmente inventiva. Agradeço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

taxativa

Escarram violência sobre meu corpo. Não respeitam minha sexualidade, minha profissão, meu jeito de criar minha filha. Me desrespeitam continuamente, basta uma exigência de direitos. Mulheres vítimas de violência por um babaca manipulador. É bizarro o sistema. O patriarcado come por dentro as singularidades de cada mulher. E elas vomitam em mim suas opressões, pois bem, recebo! Eu, uma mulher branca, acredito que nesse instante é melhor me manter calada e receber essa gosma grudenta. Minha raça fede! Porém, não me peçam pra engoli-la, isso eu não vou fazer! Como mulher, vomitem em mim, mulheres!não fechem seus olhos, abram e deixem escorrer a dor. 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

meus olhos se foram

Dentro de mim um furacão.
Me perco cheia de pedaços no chão descalço, um furo no pé distante.
De dentro de mim os trapos se transformam no útero poderoso. Ela, a sagrada mão da mãe. Toque fino com os dedos ao redor dos olhos, aperte até que exploda.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

não poder ver

Eu tomei uma decisão. Iara, eu tomei uma decisão. Eu fui lá e fiz, pronto! Não aguentava mais, estava me doendo aquele tanto de sangue na memória. Não quero ver, de jeito nenhum. Quero que seja muito feliz, mas, por enquanto, ainda dói. Estou cuidando da minha saúde, antidepressivos todos os dias. Quem diria, logo eu, aquela de tantas certezas. Aquele duplo fio de sangue me rompeu por dentro, me senti violentada, desrespeitada. Não dei conta, fui lá e fiz. Não pode me ligar, não pode vir na minha casa, não pode me ver. É isso, não poder ver, eu quero esse direito, eu posso exercer esse direito. 

domingo, 16 de outubro de 2022

DELICIOSA LOUCURA

 Eu gosto quando você me chupa, seus dedos delicados deslizando sobre minha vulva, sua língua suave, seus olhos de leoa. Seu parceiro é tímido, quieto.... é interessante sentir ele me penetrando enquanto você 

...

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...o amor é intenso e complexo, jamais me imaginei apaixonada assim, por dois, por várias, vários. O amor se multiplica infinitamente. Tenho amado demais meus contornos, meus espaços, minhas trepadas apaixonadas sem compromisso. 


A liberdade da mulher é uma loucura deliciosa!

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Nota pós-terreiro

Ontem estive no terreiro, tenho ido na tentativa de me conectar de novo com minha ancestralidade. Hoje me sinto mais leve, uma etnógrafa de mim mesma. Meus processos me cabem, e me sinto feliz por ter reconhecido o abuso e trancado a porta, nunca mais! Não reproduzir os padrões que vi todas as mulheres da minha vida vivenciando... relacionamentos tóxicos, mulheres oprimidas, corpas desajustadas em seu pertencimento. Não permito que mais nenhum homem me faça de idiota, me coma as entranhas, abafe minha liberdade e meu desejo pela vida. Não permito mais que me fira o útero! Ja tem uns dias que tô sentindo esperança, vontade, um desejo de trabalhar, ler, criar e cuidar da minha filha. Agradeço! Do fim se faz recomeços. Da secura fiz adubo, composteira de experiências. Renasço, apesar de. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

um alforismo

Pela manhã eu me assusto. Demoro um pouco pra entender a vida. Hoje pensei que trabalhar na saúde mental construiu um abismo nos meus processos criativos. Sei la, esse lado social opressor da vida me deixou quebrada. A necropolítica é muito real e ela dói tudo, aí eu cansei de fazer arte pra coisa boa ..sei la...perdi o jeito, fiquei amarga.